Israel e Palestina entram em guerra após ataque surpresa do Hamas; Brasil condena bombardeios e convoca reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU

Israel está em estado de guerra e 'nós vamos vencê-la', diz Netanyahu após ataques de Gaza. Escalada na Faixa de Gaza é 'resultado da política de ocupação israelense', diz ministro palestino.
Israel está em estado de guerra e 'nós vamos vencê-la', diz Netanyahu após ataques de Gaza. Escalada na Faixa de Gaza é 'resultado da política de ocupação israelense', diz ministro palestino.

O conflito entre Israel e Palestina se intensificou neste sábado (07/10/2023), quando o movimento islâmico armado Hamas lançou um dos maiores ataques contra Israel a partir da Faixa de Gaza, disparando milhares de foguetes e invadindo território israelense. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou estado de guerra e prometeu uma resposta dura aos agressores. O saldo de vítimas é de pelo menos 218 mortos e mais de 2 mil feridos.

“Não é uma operação, é uma guerra”, afirmou Netanyahu, dirigindo-se aos cidadãos do país através das suas redes sociais, e acrescentou: “Vamos ganhar”. “O inimigo pagará um preço que nunca conheceu”, disse o premiê.

As Forças de Defesa de Israel anunciaram o início da operação antiterrorista Espadas de Ferro. Dezenas de caças israelenses atacaram alvos do Hamas na Faixa de Gaza.

O representante do movimento Hamas Khaled Qadomi declarou que a operação militar do grupo em Israel foi uma resposta a todas as atrocidades que os palestinos têm enfrentado ao longo de décadas.

“Queremos que a comunidade internacional ponha fim às atrocidades em Gaza, contra o povo palestino, nossos locais sagrados como [a mesquita de] Al-Aqsa. Todas essas coisas são a razão por trás do início desta batalha”, disse ele à Al Jazeera.

Respondendo à questão se o Hamas fez reféns soldados e civis israelenses, Qadomi respondeu: “Eles não são reféns. São prisioneiros de guerra”. Ele acrescentou que os colonos israelenses também são ocupantes e, de acordo com o direito internacional, eles são invasores.

No início da manhã deste sábado (7), os radicais de Gaza lançaram centenas de foguetes contra o território israelense, foram relatadas incursões de militantes em áreas fronteiriças de Israel. Pelo menos 20 pessoas morreram na sequência de ataques de foguetes contra Israel a partir da Faixa de Gaza, 545 pessoas ficaram feridas, de acordo com o serviço de emergência médica israelense, informou a estação de rádio Kan.

“Exigimos uma intervenção internacional imediata para proteger a Faixa de Gaza”, afirmou Ahmad Majdalani, ministro do Desenvolvimento Social e membro do Comitê Executivo da Organização de Libertação da Palestina. Segundo ele, o que aconteceu na Faixa de Gaza é o resultado natural da política de ocupação israelense e da obstrução da perspectiva política do governo do primeiro-ministro do país Benjamin Netanyahu, que também exclui uma solução de dois Estados, dificulta a implementação das resoluções internacionais e tenta impor medidas unilaterais.

Além disso, o ministro alertou para as “consequências da escalada de agressão de Israel contra a Faixa de Gaza”, expressando preocupação com os preparativos para uma invasão no enclave costeiro, que implicaria a destruição da sua infraestrutura econômica e social. Ele apelou à comunidade mundial para “intervir imediatamente, parar a agressão e proteger o povo palestino em Gaza”.

Majdalani relembrou que o Egito, que sempre interveio para conter a situação em Gaza, já está fazendo esforços para parar a escalada.

“Esperamos que os irmãos egípcios comecem passos políticos em todos os níveis para parar a agressão”, enfatizou ele.

Os médicos israelenses, segundo a mídia local, informam sobre 40 mortos e 740 feridos do lado israelense em meio ao agravamento das tensões. O Ministério da Saúde palestino, ao mesmo tempo, comunica sobre 161 mortos e 931 feridos da parte palestina na sequência do ataque israelense contra a Faixa de Gaza.

Brasil condena bombardeios em Israel e convoca reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro disse que, até o momento, não há “notícia de vítimas entre a comunidade brasileira em Israel e na Palestina” e voltou a defender a solução de dois Estados para a região.

Na presidência do Conselho de Segurança da ONU, o Brasil informou através de uma nota do Itamaraty que vai convocar uma reunião de emergência devido aos bombardeios entre o Hamas e as Forças de Defesa de Israel.

A chancelaria condenou os ataques e disse que “não há justificativa para o recurso à violência, sobretudo contra civis. O governo brasileiro exorta todas as partes a exercerem máxima contenção a fim de evitar a escalada da situação”.

Ao mesmo tempo, o Itamaraty lamentou que “se observe deterioração grave e crescente da situação securitária entre Israel e Palestina no 30º aniversário dos Acordos de Paz de Oslo”.

“Na qualidade de Presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil convocará reunião de emergência do órgão. O governo brasileiro reitera seu compromisso com a solução de dois Estados, com Palestina e Israel convivendo em paz e segurança, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas. […] A gestão do conflito não constitui alternativa viável para o encaminhamento da questão israelo-palestina, sendo urgente a retomada das negociações de paz”, diz o comunicado.


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