Israel intensifica ofensiva aérea e terrestre contra Gaza; Hamas pede intervenção internacional; Secretário-Geral da ONU expressa preocupação

O Hospital Árabe Al Ahli, no norte da Faixa de Gaza, foi danificado por bombardeios.
O Hospital Árabe Al Ahli, no norte da Faixa de Gaza, foi danificado por bombardeios.

Israel lançou na noite de sexta-feira (27/10/2023) a maior operação militar contra a Faixa de Gaza desde o início da guerra com o Hamas, em 7 de outubro. O grupo islâmico palestino, que controla o território, apelou aos países árabes, muçulmanos e à comunidade internacional para que agissem imediatamente para deter os ataques, que causaram cortes de comunicação e internet no enclave.

Os bombardeios israelenses por ar, mar e terra foram descritos pelo governo do Hamas como “os mais violentos desde o início da guerra” e uma tentativa de “preparar massacres”. A empresa palestina de telecomunicações Jawwal confirmou que as redes foram interrompidas em Gaza, dificultando o trabalho dos serviços de emergência e dos jornalistas.

O exército israelense confirmou que intensificou “muito significativamente” os seus ataques e anunciou que estava “expandindo” as suas operações terrestres no local. “Continuaremos a atacar a Cidade de Gaza e seus arredores”, disse o porta-voz do exército, Daniel Hagari.

Em resposta aos ataques israelenses, o braço militar do Hamas disparou vários foguetes contra Israel, atingindo Tel Aviv, o centro e o norte do país, além da Cisjordânia, território palestino ocupado por Israel. Sirenes de alerta soaram em várias cidades israelenses e explosões foram ouvidas na área de Ramallah, na Cisjordânia.

A ONU, que pede por um cessar-fogo no conflito, teme uma “avalanche de sofrimento sem precedentes” em Gaza, território sitiado que já se encontra privado de tudo e onde vivem cerca de 2,4 milhões de habitantes. “Muito mais” pessoas “morrerão em breve” devido ao cerco imposto por Israel a Gaza desde 9 de outubro, disse o chefe da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), Philippe Lazzarini.

Secretário-Geral da ONU expressa preocupação com a violência em Gaza e conflito no Nepal

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez pronunciamentos importantes durante visita ao Nepal neste domingo (29/10/2023), expressando suas condolências às famílias das vítimas nepalesas dos ataques ocorridos em 7 de outubro. Além disso, Guterres destacou a preocupante crise humanitária em Gaza e enfatizou a necessidade do respeito ao Direito Internacional Humanitário.

Em sua coletiva de imprensa ao lado do Primeiro-Ministro nepalês, Pushpa Kamal Dahal, Guterres lamentou a escalada de violência em Gaza, enfatizando que, em vez de um cessar-fogo humanitário apoiado pela comunidade internacional, Israel intensificou as operações militares. O Secretário-Geral da ONU classificou o número de civis mortos e feridos como “totalmente inaceitável”. Ele chamou a atenção para a crescente gravidade da situação na região e instou a comunidade internacional a unir esforços para pôr fim a essa crise.

Além disso, António Guterres expressou solidariedade às famílias dos estudantes nepaleses mortos nos ataques de 7 de outubro e manifestou seu desejo pelo retorno seguro de Bipin Joshi, que ainda está desaparecido.

O chefe da ONU também enfatizou a importância do respeito ao Direito Internacional Humanitário e demonstrou sua profunda preocupação com a situação dos civis afetados pela crise em Gaza. Ele conclamou a comunidade global a se unir para enfrentar essa crise humanitária que afeta não apenas Gaza e Israel, mas também tem repercussões em todo o mundo, incluindo o Nepal.

Em relação aos progressos políticos no Nepal, o Secretário-Geral elogiou o país por sua transição para uma república e seu compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a ação climática. No entanto, ele reconheceu os desafios econômicos e ambientais enfrentados pela nação, especialmente em um contexto de crises globais, como os efeitos da pandemia de Covid-19, a inflação decorrente da situação econômica internacional e a ameaça representada pelo caos climático.

António Guterres anunciou que, durante sua visita ao Nepal, também planeja explorar a região do Himalaia para testemunhar em primeira mão o impacto devastador da crise climática nos glaciares. Ele alertou que a situação é grave e está se acelerando, com o Nepal perdendo quase um terço de seu gelo em pouco mais de trinta anos devido ao derretimento acelerado dos glaciares.

O Secretário-Geral da ONU se comprometeu a interagir com moradores da região para entender diretamente como estão sendo afetados por essas mudanças climáticas drásticas. Além disso, Guterres visitará Pokhara e Lumbini, onde refletirá sobre os ensinamentos de Buda sobre a paz e a não violência, considerando-os mais relevantes do que nunca em um mundo profundamente atribulado.


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