A indústria naval brasileira, outrora um dos orgulhos do país, está buscando uma recuperação após anos de decadência. A promessa de retomada é impulsionada pelo descomissionamento de plataformas marítimas e embarcações, uma prática conhecida como “reciclagem verde de plataformas”. Com a Petrobras planejando desativar várias instalações até 2026, a esperança de dias melhores começa a surgir para esse setor.
Após décadas de crescimento robusto, a indústria naval brasileira enfrentou uma crise nos últimos oito anos, demitindo 60 mil trabalhadores, o que representa 73% de sua força de trabalho. No entanto, a reciclagem de plataformas oferece uma nova oportunidade para os estaleiros, que agora podem se concentrar no desmantelamento e reciclagem de materiais.
Segundo Sergio Luiz Camacho Leal, secretário-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), esse é um novo mercado de grande interesse para os estaleiros, e a Petrobras planeja lotar os estaleiros brasileiros novamente. Isso inclui a produção de módulos de plataformas offshore e a construção de novos navios de apoio marítimo.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro (Sindimetal-Rio), Melquizedeque Cordeiro, destaca que a indústria naval do estado chegou a empregar 30 mil trabalhadores em seu auge. No entanto, com a crise, houve mais de 80 mil demissões em toda a cadeia, incluindo empresas de manutenção e peças. A criação de um fórum de defesa da indústria naval oferece esperança, mas as contratações ainda estão em níveis baixos, e muitos estaleiros enfrentam dificuldades financeiras.
A indústria naval brasileira historicamente esteve ligada ao setor de petróleo e gás, e as descobertas do pré-sal são um fator impulsionador. No entanto, problemas econômicos e a crise na Sete Brasil, uma empresa criada para a exploração na camada do pré-sal, afetaram negativamente o setor.
A doutora em economia Erika Almeida Ribeiro observa que o setor de defesa nacional também é um grande demandante da indústria naval brasileira, e em algumas regiões, como Itajaí, já há sinais de retomada devido à produção de fragatas da classe Tamandaré.
Além disso, o Fundo da Marinha Mercante, que financia projetos de construção e modernização de navios e embarcações, desempenha um papel importante na estimulação do setor. Embora os financiamentos tenham se recuperado recentemente, ainda estão longe dos níveis de investimento de anos anteriores.
No entanto, Ari Francisco de Araújo, coordenador do curso de ciências econômicas do Ibmec Belo Horizonte, argumenta que o Brasil não possui vantagens competitivas na produção de navios e plataformas e que a retomada do setor depende fortemente da intervenção estatal. Ele questiona a viabilidade econômica do projeto em um contexto de finanças públicas debilitadas.
*Com informações da Sputnik News.










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