A economia circular, baseada em evitar desperdícios, maximizar a utilização de produtos e regenerar sistemas naturais, ganha destaque no Brasil. Esse conceito promove a reutilização de materiais para prolongar sua vida útil e reduzir o descarte. Um exemplo notável é a reciclagem de latas de alumínio, na qual o Brasil se tornou líder global. De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), o país reciclou 100% das latas em 2022. Esse processo, em apenas 60 dias, evitou a emissão de mais de 15 milhões de toneladas de gases de efeito estufa na última década, movimentando cerca de R$ 6 bilhões por ano e gerando empregos para mais de 800 mil catadores em todo o país.
Cátilo Cândido, presidente-executivo da Abralatas, ressalta que os benefícios da economia circular vão além do meio ambiente, abrangendo aspectos econômicos e sociais. A reciclagem de latas de alumínio é um exemplo notável, onde a reutilização eficiente gera impactos positivos em várias áreas.
Além da reciclagem de materiais, o Brasil também se destaca na área de energia renovável. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) mostram que o país obtém metade de sua energia de fontes hídricas, seguido pela energia solar fotovoltaica (13,1%) e eólica (11,5%). Esse destaque coloca o Brasil como um player na economia circular, conforme enfatiza o economista e professor Sillas Souza da FAAP-SP. Enquanto o mundo depende de fontes não-renováveis, o Brasil usa recursos naturais e renováveis, sendo pioneiro na produção de carros movidos a álcool, considerado um exemplo de economia circular.
No entanto, o Brasil enfrenta desafios na gestão de resíduos sólidos. Dados do Panorama dos Resíduos Sólidos revelam que mais de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos foram gerados em 2022, com 33,6% desses materiais sendo recicláveis. No entanto, apenas 3 a 4% desse material é efetivamente reciclado, de acordo com os dados oficiais das prefeituras. Carlos Rossin, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), acredita que o valor real pode ser ainda menor, devido à alta informalidade no setor de reciclagem.
O governo está ciente da importância da economia circular e tem tomado medidas para promovê-la. O PL 1874/22, resultado do Fórum da Geração Ecológica, incentiva setores público e privado a adotar práticas da economia circular. O senador Jaques Wagner, relator do projeto, enfatiza a necessidade de integração da transição para a economia circular, abrangendo indústria, serviços, comércio e consumidores, com o governo dando o exemplo através de requisitos de sustentabilidade e reutilização em contratos públicos.
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