A professora e doutora em estudos de gênero, mulheres e feminismos, Carla Akotirene, emerge como uma voz contundente na denúncia do racismo sistêmico que permeia o sistema de Justiça brasileiro. Com uma abordagem que vai além da constatação da maioria negra nas prisões do país, Akotirene destaca como essa realidade foi produzida e persiste, revelando práticas criminosas de agentes de segurança pública. Autora de obras como “O que é Interseccionalidade” e “Ó pa í, prezada”, a pesquisadora prepara o lançamento de seu próximo livro, “É fragrante fojado dôtor vossa excelência”, onde expõe flagrantes forjados de tráfico de drogas, imputados principalmente a pessoas negras.
A obra, que será lançada em janeiro de 2024, desvela a conivência entre alguns setores da polícia e a mídia sensacionalista, apontando como a prática de flagrantes forjados prejudica irreparavelmente as vítimas, mesmo quando considerados ilegais. Akotirene, que esteve recentemente em Brasília para uma palestra no Ministério Público do DF, destaca a colonialidade do saber e problematiza a condução das audiências de custódia, ressaltando a hierarquização da palavra e a permanência de valores coloniais na branquitude.
A pesquisadora, que tem o foco central de seus estudos nas mulheres negras, conecta o racismo ao poder de homens sobre mulheres, enfatizando a necessidade de uma luta antirracista e antipatriarcal. Diante do perfil majoritariamente negro e jovem da população encarcerada, ela questiona a relação entre dias trabalhados e redução de pena, destacando as desigualdades presentes na abordagem de crimes cometidos por brancos e negros.
Akotirene, inspirada por feministas dos Estados Unidos como Sojourner Truth, Bell Hooks e Angela Davis, destaca também figuras nacionais, como Lélia Gonzalez, Luiza Bairros e Matilde Ribeiro. Observando a mudança na realidade de cotistas nas universidades públicas após a Lei de Cotas, a pesquisadora acredita em alternativas à prisão em massa, como a mediação de conflitos, vislumbrando um futuro sem a necessidade de punições e a abolição do cárcere.
*Com informações da Agência Brasil.










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