Reparações do crime socioambiental da Braskem em Maceió geram divergências entre vítimas e autoridades

Audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados destaca visões opostas sobre as reparações do desastre da Braskem em Maceió.
Audiência na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados destaca visões opostas sobre as reparações do desastre da Braskem em Maceió.

A audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (20/12/2023) revelou perspectivas opostas em relação às reparações do crime socioambiental cometido pela Braskem em Maceió, capital de Alagoas. O colapso parcial de uma das 35 minas de sal-gema no início do mês desencadeou um debate acalorado entre representantes das vítimas e autoridades federais e estaduais.

O defensor público da União, Diego Alves, destacou que a magnitude do desastre foi atenuada por ações preventivas, como a interdição de uma área cinco vezes maior que o raio de cada poço e acordos de desocupação e indenização iniciados em 2019. No entanto, representantes dos atingidos criticaram as condições desses acordos, alguns assinados em momentos críticos, como durante a pandemia de Covid-19.

A Associação dos Empreendedores e Vítimas da Mineração em Maceió expressou insatisfação com a falta de ação do Ministério Público em responsabilizar os envolvidos. A instituição já havia apresentado uma notícia-crime acusando a Braskem por crime ambiental e fraude em licenciamento, entre outras acusações. Diante da falta de resultados, novas tentativas de punição judicial foram iniciadas neste mês.

A procuradora-chefe do Ministério Público Federal em Alagoas, Roberta Bomfim, descartou o uso comercial da área interditada nas proximidades da Lagoa de Mundaú. Contudo, as vítimas alegaram um suposto privilégio para a Braskem em relação ao controle futuro dessa área.

Diante das divergências, o deputado Ivan Valente (Psol-SP) criticou a atuação dos órgãos públicos e defendeu a criação de uma CPI na Câmara para investigar o caso, assim como já ocorreu no Senado. A deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) listou as cobranças de providências que encaminhou a diversas autoridades com foco em reparação, fiscalização e responsabilização.

A deputada Duda Salabert (PDT-MG) lamentou a ausência de prisões pelos crimes socioambientais de Mariana, Brumadinho e Maceió, destacando o “modo criminoso e irresponsável das mineradoras.”

*Com informações da Agência Câmara de Notícias.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.