Quase dois meses após a Venezuela ameaçar invadir parte da Guiana, chanceleres dos dois países se reúnem em Brasília, em um encontro organizado pelo chanceler Mauro Vieira, visando a resolução de disputas territoriais e o fortalecimento das relações diplomáticas. O evento, embora não envolva chefes de Estado, representa uma oportunidade para o Brasil exercer seu papel de mediador em uma região estratégica e conter movimentações bélicas de potências estrangeiras.
O Brasil, por meio do Itamaraty, conduzirá as negociações entre Guiana e Venezuela, respaldado por Dominica e São Vicente e Granadinas. O objetivo é promover um entendimento que vá além das tensões vividas no final de 2023. A reunião, envolvendo chanceleres, destaca-se como um passo importante para construir relações menos conflituosas na tríplice fronteira nos próximos meses.
A relevância desse encontro vai além das disputas territoriais, atuando como um trampolim para o Brasil consolidar sua posição de liderança na América do Sul. O coordenador do curso de Relações Internacionais do IBMEC/RJ, José Luiz Niemeyer, ressalta que a reunião não apenas acalmará as relações entre os países envolvidos, mas também posicionará o Brasil como ator diplomático eficaz. Niemeyer destaca a importância de mostrar aos Estados Unidos que a América do Sul está dentro do espaço vital do Brasil, fortalecendo a perspectiva geopolítica e geoestratégica do país.
A ameaça de invasão feita pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro, segundo o coordenador, reflete desafios políticos internos, gerando apreensão na região. O Brasil, ao assumir o papel de mediador, demonstra sua capacidade diplomática e busca evitar escaladas militares, como as manobras dos Estados Unidos na Guiana após as ameaças de Maduro.
A professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo, Carolina Pedroso, destaca que a região disputada, em torno da questão de Essequibo, envolve não apenas disputas históricas, mas também interesses externos, como dos Estados Unidos e da Inglaterra. O Brasil, ao mediar o conflito, precisa considerar elementos militares e estratégicos na região amazônica.
Embora uma solução definitiva para o conflito não seja fácil, a disposição das autoridades de Guiana e Venezuela de se reunirem no Brasil indica um passo importante em direção à estabilidade. A professora Vanessa Matijascic, da FAAP, ressalta o interesse brasileiro em manter as atuais linhas de fronteira, evitando conflitos e auxiliando na contenção das posições de Nicolás Maduro.
*Com informações da RFI.
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