Desafios e oportunidades: O impacto da Inteligência Artificial no mercado de trabalho

Enquanto o avanço da tecnologia gera apreensões no mercado de trabalho brasileiro, especialistas debatem soluções para mitigar desigualdades e preparar a população para as transformações iminentes.
Enquanto o avanço da tecnologia gera apreensões no mercado de trabalho brasileiro, especialistas debatem soluções para mitigar desigualdades e preparar a população para as transformações iminentes.

Kristalina Georgieva, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), chamou a atenção para os impactos da inteligência artificial (IA) no emprego global. O FMI destaca, em seu relatório, que metade dos empregos em todo o mundo enfrentará impactos negativos devido à IA, ao passo que a outra metade poderá se beneficiar do aumento da produtividade.

No Brasil, especialistas ouvidos pela DW expressam preocupações quanto ao avanço da IA no mercado de trabalho. Há um consenso de que a tecnologia pode intensificar a desigualdade social e substituir trabalhadores em atividades intensivas em mão de obra. A capacidade atual da IA de realizar tarefas que vão desde atendimento em call centers até a redação de documentos e leitura de exames radiológicos levanta questões cruciais sobre o futuro do trabalho.

O cenário brasileiro reflete uma preocupação global, pois a automação proporcionada pela IA não se limita a substituir empregos de baixa complexidade. Funções de média complexidade, ocupadas predominantemente pela classe média, também estão sob ameaça. Especialistas ressaltam a importância de se preparar para a era da IA, destacando a necessidade de políticas públicas voltadas para a capacitação da população em diferentes níveis.

O pesquisador Diogo Cortiz, da PUC-SP, menciona a iniciativa da Finlândia, que lançou o curso online “Elements of AI” para preparar a população para os desafios da IA. No entanto, no Brasil, onde 73% dos entrevistados acreditam que a IA mudará seus empregos e 57% temem a substituição por essa tecnologia, ainda há um longo caminho a percorrer.

Soluções potenciais começam a ser debatidas, incluindo a necessidade de capacitar as pessoas, ofertas de reciclagem e formação por empresas, e políticas públicas para aqueles que não têm recursos para acessar novas formações. Programas de transferência de renda e investimentos na formação desde a primeira infância são apontados como essenciais para lidar com as mudanças iminentes.

Enquanto alguns países, como a União Europeia, buscam estabelecer regras sobre o uso da IA, no Brasil, a discussão sobre como enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades da inteligência artificial continua, exigindo uma abordagem abrangente e colaborativa entre setores público e privado.

*Com informações da DW.


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