Pesquisa conduzida pelo Observatório de Política Fiscal do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), divulgada neste mês de janeiro de 2024, revela crescente disparidade na distribuição de renda no Brasil. O estudo, elaborado pelo economista colaborador Sérgio Wulff Gobetti, aponta que, nos últimos anos, a renda dos mais ricos tem experimentado um crescimento entre duas a três vezes superior à média dos 95% da população brasileira. Este aumento acentuado, se confirmado por estudos adicionais, marcaria um novo recorde histórico na concentração de renda, após uma década de relativa estabilidade na desigualdade.
O levantamento categoriza a população em estratos, desde o milésimo (0,1%) mais rico até os 95% restantes. Uma das conclusões mais significativas é que, além do crescimento médio superior dos mais ricos em comparação com a base da pirâmide social, essa disparidade aumenta conforme o nível de riqueza. Enquanto a maioria da população adulta teve um aumento nominal médio de 33% em sua renda durante o período de cinco anos, os estratos mais seletos registraram variações de 51%, 67% e 87%, sendo que os 15 mil milionários do 0,01% mais rico apresentaram um crescimento ainda mais expressivo, atingindo 96%.
O impacto desse cenário é evidenciado pela proporção do total de renda destinada aos 1% mais ricos, que passou de 20,4% para 23,7% entre 2017 e 2022. Surpreendentemente, mais de quatro quintos dessa concentração adicional de renda foram absorvidos pelo milésimo mais rico, composto por 153 mil adultos com uma renda média mensal de R$ 441 mil em 2022.
Os dados do imposto de renda revelam um alerta sobre o processo de reconcentração de renda no Brasil, destacando os rendimentos isentos ou subtributados como uma fonte significativa de remuneração entre os super ricos. O texto ressalta a necessidade de revisão das atuais isenções tributárias, particularmente aquelas que favorecem os mais abastados.












Deixe um comentário