O renomado jornalista Breno Altman recebeu uma notificação da rede social X, antigo Twitter, informando sobre um inquérito da Polícia Federal (PF) que busca seus dados cadastrais. O motivo da investigação, segundo Altman, são suas postagens críticas ao Estado de Israel na plataforma. O fundador do site Opera Mundi, no entanto, afirmou que ainda não foi oficialmente notificado pela PF.
A Polícia Federal, por sua vez, se manteve em silêncio sobre possíveis investigações em andamento, enquanto a rede social X não respondeu aos pedidos de informações da Agência Brasil. O inquérito em questão foca nas publicações do jornalista que se posiciona como antissionista, uma distinção que Altman faz para separar suas críticas ao sionismo de qualquer teor antissemita.
Em novembro do ano passado, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) solicitou à Justiça a exclusão de publicações de Altman, alegando conteúdo “racista”. A 16ª Vara Cível da Justiça de São Paulo atendeu ao pedido e determinou a exclusão. Altman, que é judeu, defende que suas postagens não são antissemitas, mas antissionistas, destacando a diferença entre oposição ao sionismo e ódio contra os judeus.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) criticou o inquérito, considerando-o resultado de uma “reclamação descabida” da Conib. A entidade destaca que a Constituição de 1988 assegura a liberdade de expressão a todos os cidadãos. Intelectuais, liderados pela historiadora Virgínia Fontes, manifestaram apoio a Altman, ressaltando a distinção crucial entre antissionismo e antissemitismo.
O Partido dos Trabalhadores (PT) classificou a investigação como “injusta e inaceitável perseguição de caráter político”. A presidente do PT, Gleisi Hoffman, acusou a Conib de agir em nome do governo de Israel e negar aos judeus o direito de rejeitar a doutrina sionista. Em resposta, a Conib repudiou a afirmação de Hoffman, considerando-a preconceituosa e merecedora de total reprovação.
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