A guerra em Gaza, que já dura três meses, não tem previsão de acabar. Israel mantém os ataques aéreos e terrestres contra o enclave palestino, controlado pelo grupo islâmico Hamas, que também lança foguetes contra o território israelense. Diante desse cenário, o Exército de Israel anunciou que vai dar uma pausa aos seus reservistas, que somam 360 mil, além dos soldados regulares, para que eles possam se preparar para uma “guerra prolongada”. Mas nem todos os israelenses estão dispostos a pegar em armas.
É o caso de Sofia Orr, uma jovem de 18 anos que vive em Pardes Hanna-Karkur, ao norte de Tel Aviv. Ela faz parte do movimento “Mesarvote”, que reúne dezenas de jovens que se recusam a servir o Exército por motivos de consciência. Em fevereiro, ela vai enfrentar um tribunal militar e pode ser condenada a uma pena de prisão.
“Eu me recusei a servir o Exército israelense porque eu acho que a violência extremista do Hamas não pode ser combatida com mais violência. Eu quero fazer parte da solução e não do problema. É preciso fazer a paz, não há outras opções”, disse ela à RFI.
Sofia Orr não está sozinha nessa decisão. Seu amigo Tal Mitnick, que também faz parte do “Mesarvote”, foi o primeiro a se negar a cumprir o serviço militar desde o início da guerra, em 7 de outubro. Ele foi preso na semana passada e recebeu uma sentença inicial de um mês de detenção.
“Você pode ter isenção, fazer com calma e não ser humilhado publicamente por isso. Mas isso não é uma opção para mim. Sinto que tenho que falar sobre isso publicamente e tentar causar o máximo de impacto possível”, afirmou Sofia Orr.
Os jovens que se opõem à guerra enfrentam a pressão da sociedade israelense, que em sua maioria apoia o Exército e o governo. Eles também sofrem com o isolamento de familiares e amigos, que os acusam de traição ou de raiva contra o próprio povo.
“É muito difícil. A maioria das pessoas neste país tem esse espírito militar, que apoia o Exército, seja o que for que aconteça, e isso, claro, inclui entes queridos. Às vezes me chamam de traidora ou de judia raivosa”, contou Sofia Orr.
Guerra entra em nova fase Enquanto isso, a guerra em Gaza entra em uma nova fase, segundo o Exército de Israel. Cinco brigadas israelenses serão em breve retiradas ou redistribuídas. Os reservistas também farão uma pausa para se prepararem para o “combate prolongado”.
Para David Rigoulet-Roze, pesquisador associado do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas e editor-chefe da revista “Orient Stratégique”, este anúncio do Exército indica que a guerra entra “em uma nova fase”.
“Segundo as declarações das Forças Armadas de Israel, trata-se de uma redistribuição com o objetivo de lhes permitir retomar o seu trabalho, portanto há uma lógica econômica e, passo a citar o Exército israelense: ‘Estamos planejando a gestão das forças que operam no terreno, examinando o sistema de reservas, a economia, a renovação das forças e a continuação dos processos de treinamento de combate dentro das Forças Armadas.’ Então, existe um sistema de rodízio que hoje funciona, o que mostra que estamos entrando em uma nova fase. Isso já foi mencionado diversas vezes”, disse o especialista.
“A primeira fase seria a dos bombardeios massivos, a segunda da operação terrestre e a terceira fase seria de menor intensidade, particularmente no norte de Gaza. Isto corresponderia aos pedidos da comunidade internacional, que pede uma redução da violência e uma retomada do diálogo”, explicou.
A guerra em Gaza já deixou mais de 2 mil mortos, a maioria palestinos, e milhares de feridos e desabrigados. As tentativas de mediação internacional não conseguiram até agora estabelecer um cessar-fogo duradouro entre as partes.
*Com informações da RFI.
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