Os recentes ataques do movimento político Ansar Allah, conhecido como houthis, no Mar Vermelho, ameaçando a estabilidade do comércio marítimo global, lançam luz sobre as vulnerabilidades inerentes ao modelo imperialista neoliberal. Especialistas entrevistados pelo programa Mundioka, da Sputnik Brasil, destacam que a ação resiliente e nacionalista dos rebeldes iemenitas expõe a soberba e a hipocrisia do Ocidente.
Os houthis declararam guerra a navios de países que apoiam Israel na guerra contra o Hamas em Gaza, resultando em ataques a pelo menos 12 navios comerciais. Historiadores como Ramez Philippe Maalouf e Ailton Dutra Junior consideram a iniciativa houthi como legítima, representando uma resistência bem-sucedida às estruturas de dominação mundial lideradas pelos EUA.
Para Maalouf, o movimento houthi demonstra ser anti-imperialista e anticolonial, solidarizando-se com os palestinos ao interromper o comércio global, controlado pelo Ocidente. Dutra Junior destaca a tradição iemenita de resistência contra a dominação anglo-americana, apontando para uma possível tentativa de conter interesses geopolíticos e energéticos do Ocidente na região.
Os ataques dos houthis no estreito de Bab al-Mandab, uma rota chave para o comércio mundial, levaram a uma queda de quase 60% no volume de navios comerciais. Especialistas ressaltam que cerca de 12% do comércio global passa pelo Mar Vermelho. A aliança velada entre Irã e houthis é vista como um freio aos potenciais ataques dos EUA ao Iêmen.
A análise histórica contextualiza a instabilidade política do Iêmen desde a unificação em 1990 e destaca a resistência dos houthis como parte de uma tradição de luta contra ingerências ocidentais na região. A radicalização do grupo após a invasão do Iraque em 2003 contribuiu para sua transformação em um movimento armado.
*Com informações da Sputnik News.








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