A recente operação da Polícia Federal, que teve como alvos o ex-presidente Jair Bolsonaro e 25 aliados, não foi recebida unanimemente no meio jurídico. O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, criticou a ofensiva, destacando a necessidade de a instituição judiciária “tirar o pé do acelerador”. Em entrevista à VEJA, o magistrado expressou sua preocupação quanto ao desgaste da imagem da Corte, decorrente da condução ampla das investigações, classificando as medidas como “extremadas”.
Para Marco Aurélio, as diligências autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das milícias digitais, foram excessivamente abrangentes. Ele ressaltou um princípio jurídico: “o meio justifica o fim, e não o fim ao meio”, argumentando que medidas judiciais invasivas devem ser respaldadas por indícios veementes de crime. O ministro, aposentado desde 2021, conhecido por sua abordagem garantista, apela por uma apuração cuidadosa, destacando que “uma busca e apreensão na casa de um cidadão enxovalha o perfil dele.”
A operação da última quinta-feira envolveu 33 mandados de busca e apreensão e quatro ordens de prisão contra 26 alvos, principalmente militares. De acordo com a decisão de Moraes, os investigados estariam envolvidos em um suposto plano de golpe de Estado após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022. Bolsonaro, por sua vez, nega as acusações, rejeitando qualquer envolvimento em um plano golpista.











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