Três anos após a tomada do poder pela junta militar em Mianmar, a persistência dos conflitos no país continua assolando cerca de dois terços do território, de acordo com informações das Nações Unidas. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, destacou nesta terça-feira que a comunidade rohingya foi particularmente atingida pelos confrontos armados entre a junta militar e grupos de oposição.
O estado de Rakhine, em especial, tem sofrido intensamente com os combates, resultando na morte de mais de 554 pessoas desde o recomeço dos conflitos em novembro passado. No ano de 2023, o total de civis mortos pelos militares ultrapassou 1,6 mil, representando um aumento de cerca de 300 vítimas em relação ao ano anterior. Entre as pessoas presas por motivos políticos, 19.973 permanecem detidas, e nos últimos três anos, aproximadamente 1.576 indivíduos perderam a vida enquanto estavam sob custódia militar.
Turk ressaltou que, além dos conflitos, as comunidades, especialmente os rohingya, enfrentam as consequências do ciclone Mocha, com limitações impostas pelos militares no acesso humanitário e de assistência. A comunicação e a internet em 74 municípios são desligadas de forma parcial ou total, exacerbando a crise humanitária.
Além disso, refugiados rohingya vivem em condições terríveis em campos no Bangladesh, sem perspectivas seguras de retorno. A minoria birmanesa arrisca-se a realizar viagens marítimas perigosas, uma vez que poucas comunidades na região estão dispostas a aceitá-los ou acolhê-los.
O relator da ONU sobre os direitos humanos em Mianmar, Tom Andrews, em nota separada, chamou a atenção para os “ataques indiscriminados” por parte da junta militar enfraquecida. Ele instou os Estados-membros da organização a reavaliarem as condições no país e tomarem ações urgentes para salvar os mais vulneráveis. Andrews destacou a responsabilidade da comunidade internacional diante da oportunidade de agir frente aos crimes cometidos pela junta militar.
*Com informações da ONU News.










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