Brasil e mais 23 países da Celac pedem cessar-fogo imediato em Gaza

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propõe ação conjunta na cúpula da Celac contra o genocídio em Gaza.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propõe ação conjunta na cúpula da Celac contra o genocídio em Gaza.

O Brasil e mais 23 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) emitiram declaração conjunta por um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, enclave palestino controlado pelo grupo Hamas que vem sendo alvo de ataques do governo de Israel. O documento que trata das ações israelenses na Palestina foi assinado durante a cúpula da Celac, na sexta-feira (01/03/2024), em Kingstown, capital de São Vicente de Granadinas.

“Conscientes da intransigência refletida nas declarações do governo de Israel e do agravamento da crise humanitária em Gaza, deploramos o assassinato de civis israelenses e palestinos, incluindo os cerca de 30 mil palestinos mortos desde o início da incursão de Israel em Gaza, e manifestamos profunda preocupação com a situação humanitária catastrófica na Faixa de Gaza e com o sofrimento da população civil palestina”, diz a declaração.

Os chefes de Estado endossaram “fortemente” a exigência da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) de um cessar-fogo humanitário imediato em Gaza e de que todas as partes no conflito cumpram o direito internacional, especialmente no que diz respeito à proteção de civis. A resolução da ONU foi aprovada em dezembro de 2023.

A declaração dos países da Celac cita ainda casos em curso na Corte Internacional de Justiça para determinar se a ocupação continuada do Estado da Palestina por Israel constitui violação do direito internacional e se o ataque de Israel a Gaza constituiria genocídio. Os países também enfatizam a exigência de libertação imediata e incondicional de todos os reféns, e reiteram a solução de dois estados, Israel e Palestina, vivendo lado a lado dentro de fronteiras seguras e reconhecidas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cúpula da Celac e, durante seu discurso, propôs uma moção à ONU pelo fim imediato do genocídio de palestinos na Faixa de Gaza, imposto pelo governo de Israel. Para Lula, a reação de Israel aos ataques do Hamas é “desproporcional e indiscriminada” e a “indiferença da comunidade internacional [aos atos] é chocante”.

No dia 7 de outubro de 2023, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, lançou um ataque surpresa de mísseis contra Israel e com a incursão de combatentes armados por terra, matando cerca de 1,2 mil civis e militares e fazendo centenas de reféns israelenses e estrangeiros.

Em resposta, Israel vem bombardeando várias infraestruturas do Hamas, em Gaza, e impôs cerco total ao território, com o corte do abastecimento de água, combustível e energia elétrica. Os ataques israelenses já deixaram cerca de 30 mil mortos, a maioria mulheres e crianças, além de feridos e desabrigados. A guerra entre Israel e Hamas tem origem na disputa por territórios que já foram ocupados por diversos povos, como hebreus e filisteus, dos quais descendem israelenses e palestinos.

Proposta de Lula na Celac: Moção à ONU pelo fim do genocídio em Gaza

Na sexta-feira (1º), durante a cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em Kingstown, São Vicente e Granadinas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma proposta contundente: uma moção à Organização das Nações Unidas (ONU) pelo fim imediato do genocídio de palestinos na Faixa de Gaza, perpetrado pelo governo de Israel. Lula, em seu discurso, destacou a urgência de uma resposta à tragédia humanitária em Gaza, enfatizando a necessidade de solidariedade internacional diante da punição coletiva infligida ao povo palestino pelo governo israelense.

O presidente brasileiro também sugeriu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, a invocação do Artigo 99 da Carta da ONU, que permite ao secretário-geral levar questões que ameacem a paz e a segurança internacional ao Conselho de Segurança. Lula apelou para que o tema fosse pautado com urgência, aproveitando a mudança da presidência rotativa do conselho, que passaria a ser assumida pelo Japão. Expressando sua indignação com a situação, Lula convocou os membros permanentes do Conselho de Segurança, bem como a comunidade internacional, a agirem para pôr fim ao massacre em Gaza.

Além de seu foco em Gaza, Lula também abordou outras questões globais, incluindo o conflito na Ucrânia e a crise no Haiti, ressaltando a necessidade de ações rápidas para aliviar o sofrimento das populações afetadas. O presidente brasileiro aproveitou a oportunidade para defender a reforma das organizações internacionais, argumentando que essas mudanças são essenciais para combater o subdesenvolvimento estrutural e promover o crescimento econômico e a integração regional.

A proposta de Lula na Celac reflete não apenas uma preocupação imediata com a situação em Gaza, mas também uma visão mais ampla de solidariedade e cooperação internacional para abordar os desafios globais. A integração regional e a colaboração entre os países da América Latina e do Caribe são destacadas como elementos-chave para fortalecer a voz da região e influenciar os grandes debates da atualidade.

Repúdio a ataques em Gaza: Posicionamento de Alckmin

Na noite de sexta-feira (1º), o vice-presidente Geraldo Alckmin se pronunciou veementemente contra o ataque perpetrado por soldados israelenses na Faixa de Gaza, que resultou na morte de 104 palestinos que aguardavam por ajuda humanitária. Em linha com a postura do governo brasileiro, Alckmin classificou o incidente como “inconcebível” e instou a comunidade internacional a agir em prol de um cessar-fogo imediato e da entrada de assistência humanitária na região.

Por meio de suas redes sociais, Alckmin expressou sua consternação diante da tragédia humanitária em Gaza e destacou a necessidade urgente de cessar a violência contra civis. Seguindo os apelos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Alckmin reforçou a importância de buscar a paz como um imperativo ético, ressaltando a urgência de medidas concretas para conter o sofrimento do povo palestino.

Lula, por sua vez, durante a reunião de cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em Kingstown, São Vicente e Granadinas, propôs uma moção à Organização das Nações Unidas (ONU) pelo fim imediato do genocídio de palestinos em Gaza, ação atribuída ao governo de Israel. Em seu discurso, o presidente brasileiro denunciou a punição coletiva imposta a Gaza e criticou a inércia da comunidade internacional diante da crise humanitária na região.

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou planos para um lançamento aéreo militar de alimentos e suprimentos em Gaza, em resposta às mortes de palestinos que aguardavam ajuda humanitária. A medida foi tomada após a intensificação da atenção global para a catástrofe humanitária que assola o enclave costeiro.

Maduro denuncia genocídio em Gaza como ‘o primeiro transmitido ao vivo’

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, fez declarações contundentes sobre a situação na Faixa de Gaza, condenando veementemente as ações de Israel contra o povo palestino. Em uma entrevista, Maduro enfatizou que o mundo está reagindo vigorosamente ao que ele descreve como um genocídio transmitido em tempo real, especialmente após um incidente em que um soldado americano se incendiou em protesto em frente à embaixada israelense em Washington, EUA.

Segundo Maduro, o ocorrido com o soldado americano abalou a sociedade e gerou protestos em várias cidades dos Estados Unidos, onde soldados e ex-militares queimaram uniformes em solidariedade. Ele caracterizou esses eventos como um despertar da consciência e moralidade global diante da gravidade do genocídio em Gaza, que está sendo transmitido ao vivo pelas redes sociais, marcando um momento histórico significativo.

O presidente venezuelano destacou que essa situação representa não apenas o primeiro genocídio do século 21 contra um povo, mas também uma mudança profunda na consciência global. Maduro avaliou ainda que esses eventos indicam um declínio do poder global dos EUA e do sistema de dominação imperial ocidental, ressaltando um questionamento crescente da ideologia hegemônica.

*Com informações da Agência Brasil e Sputnik News.


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