O desmatamento no Cerrado, importante bioma brasileiro e responsável por 40% da água doce do país, teve um aumento de 19% nos alertas em fevereiro, comparado ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Enquanto isso, a Amazônia registrou uma queda de 30% nos alertas de desmatamento. A expansão da agropecuária tem sido apontada como a principal causa desse cenário no Cerrado, com autorizações de desmatamento concedidas pelos governos estaduais e prefeituras baseadas no Código Florestal. Apesar de ser um dos biomas mais biodiversos do planeta, apenas 20% da vegetação nativa do Cerrado é protegida por lei, em comparação com os 80% exigidos na Amazônia.
Um estudo conduzido pelo Instituto Cerrados revelou que o cultivo de soja, milho e algodão, bem como a pecuária, têm impactado significativamente o ciclo hidrológico do bioma. As mudanças no uso do solo resultaram na redução de água em 56% dos casos estudados, enquanto 44% das alterações foram atribuídas às mudanças climáticas. A perda de vegetação já afetou em média 12% da produtividade de grãos do país, levando a um aumento de 535% nos pedidos de recuperação judicial de produtores rurais em 2023 em comparação com o ano anterior.
O aumento do desmatamento no Cerrado também afeta os povos indígenas, que têm um papel crucial na recuperação de áreas degradadas. O estado do Maranhão, parte do quadrante Matopiba (que inclui também Tocantins, Piauí e Bahia) foi o mais afetado, com um aumento de 316% nos alertas de desmatamento em fevereiro, enquanto o Tocantins registrou um aumento de 136%. Enquanto isso, na Amazônia, o desmatamento diminuiu em 56% em relação ao mesmo período do ano anterior, evidenciando a disparidade de tendências entre os dois biomas.
*Com informações da Agência Brasil.










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