O lançamento de dois livros marca um momento significativo na jornada de Mariluce Moura e sua filha, Tessa Moura Lacerda, na divulgação das histórias de crimes impunes da ditadura militar brasileira. As obras, lançadas pela Aretê Editora e Comunicação, são fruto de uma colaboração única entre mãe e filha, oferecendo perspectivas intimamente ligadas sobre eventos traumáticos ocorridos durante esse período sombrio da história brasileira. O evento de lançamento está agendado para o dia 18 de março de 2024, na Reitoria da UFBA (Canela), Salvador, com uma mesa de debate que reúne importantes vozes na luta contra a impunidade dos crimes da ditadura.
Mariluce Moura traz à luz seu romance “A Revolta das Vísceras e Outros Textos”, uma republicação de sua obra lançada originalmente na década de 80. Este romance, baseado em experiências pessoais, narra a história de Clara, uma jovem militante que enfrenta os desafios da ditadura militar brasileira. Além do romance, a obra inclui reflexões da autora, escritas durante sua prisão e após a morte de seu marido, Gildo Macedo Lacerda, bem como artigos e entrevistas para diferentes veículos de mídia. Com uma prosa envolvente e moderna, o livro oferece uma visão feminina e profundamente pessoal desse período sombrio da história brasileira.
O segundo livro, “Pela Memória de um Paí[s]: Gildo Macedo Lacerda, Presente!”, de Tessa Moura Lacerda, mergulha nas profundezas da experiência pessoal da autora, cujos pais foram vítimas da ditadura. A obra, prefaciada por Marilena Chauí, apresenta quatro ensaios envolventes que exploram temas como a construção da memória sobre um pai que a autora nunca conheceu, a marca deixada na subjetividade de uma criança pela ausência trágica e a negação dos rituais fúnebres pela ditadura. Esses ensaios, escritos de maneira fluída e pungente, são ancorados em obras de importantes pensadores e oferecem uma reflexão poderosa sobre o impacto duradouro dos crimes da ditadura.
Ambos os livros, juntos, compõem um mosaico impressionante de uma história pouco conhecida de crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante o período de 1964 a 1985. Eles são um lembrete doloroso de um período da história do Brasil que permanece envolto em obscuridade, uma chamada para que nunca seja esquecido e um apelo para que a justiça seja feita.
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