Ditadura Militar ou Civil-Militar? Desvendando os significados históricos

A controvérsia sobre os termos usados para descrever o período da ditadura militar no Brasil reflete disputas sobre interpretações históricas e implicações políticas.
A controvérsia sobre os termos usados para descrever o período da ditadura militar no Brasil reflete disputas sobre interpretações históricas e implicações políticas.

O debate em torno dos termos utilizados para descrever o regime militar no Brasil revela não apenas uma disputa semântica, mas também questões profundas sobre memória histórica e identidade nacional. Enquanto alguns defendem o uso de “ditadura militar” para destacar o papel preponderante das forças armadas, outros preferem a expressão “ditadura civil-militar” para ressaltar a participação ativa de setores civis no golpe de 1964 e na sustentação do regime autoritário que se seguiu.

Especialistas consultados pela Agência Brasil abordam a complexidade por trás dessas escolhas linguísticas, destacando como cada termo carrega consigo implicações políticas e ideológicas. Para Daniel Aarão Reis, professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF), a qualificação “civil-militar” busca evidenciar a cumplicidade de civis no processo de instauração e manutenção da ditadura, destacando episódios como a Marcha da Família com Deus pela Liberdade e o apoio de importantes líderes políticos e empresariais.

Por outro lado, Rodrigo Patto Sá Motta, historiador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), argumenta que o termo “ditadura militar” é mais apropriado, pois reflete o domínio exercido pelas forças armadas sobre o país durante o regime autoritário. Ele ressalta que, embora setores civis tenham colaborado com a ditadura, a liderança e a direção do regime estavam nas mãos dos militares, que ocupavam os principais postos de poder e moldavam as políticas do Estado de acordo com seus interesses.

Além das disputas terminológicas, o debate se estende à caracterização do golpe de 1964 como “revolução” ou “contrarrevolução”. Enquanto alguns defendem a visão de que o golpe representou uma ruptura benéfica para o país, outros argumentam que se tratou de uma interrupção violenta da ordem democrática, marcada por abusos de poder e violações dos direitos humanos.

Em última análise, a escolha das palavras não apenas reflete diferentes interpretações do passado, mas também influencia a construção da memória coletiva e as perspectivas sobre o presente e o futuro do Brasil.

Uso de imóveis privados para tortura une civis e militares na ditadura

Durante os anos sombrios da ditadura militar no Brasil, a violência e a repressão estenderam seus tentáculos para além das estruturas militares e governamentais, infiltrando-se em imóveis privados aparentemente comuns. Casas discretas em bairros residenciais, sítios de lazer nos fins de semana e até salas dentro de complexos industriais foram transformados em cenários de tortura e execução, revelando uma sinistra colaboração entre civis e militares no regime autoritário que governou o país entre 1964 e 1985.

Essas conexões obscuras entre civis e militares durante a ditadura se tornaram evidentes com a descoberta de diversos locais não oficiais onde interrogatórios violentos e desaparecimentos forçados eram conduzidos. Pesquisadores e ativistas ressaltam que esses espaços clandestinos, longe das instituições oficiais, proporcionavam um ambiente propício para a atuação de organizações paralelas, envolvendo tanto agentes da repressão quanto membros da sociedade civil.

A existência desses locais, embora conhecida, permanece envolta em mistério devido à ausência de evidências concretas e testemunhos confiáveis. A Comissão Nacional da Verdade identificou centros de tortura em diversos estados brasileiros, enquanto investigações como a CPI de São Paulo em 1990 revelaram sítios utilizados para tortura e execuções, como a Fazenda 31 de Março, onde militantes da resistência foram brutalmente assassinados.

O uso de imóveis privados para atividades clandestinas de repressão também se estendeu à capital paulista, onde locais como a Casa da Mooca foram convertidos em centros de detenção e tortura. Testemunhos de sobreviventes e revelações de ex-agentes da repressão lançam luz sobre os horrores que ocorriam nesses lugares obscuros, onde a violência era cotidiana e a impunidade reinava.

Apesar dos esforços de investigadores e ativistas, muitos desses locais permanecem desconhecidos, perdidos para sempre no emaranhado da história obscura da ditadura militar brasileira. O legado desses espaços de terror serve como um lembrete sombrio das atrocidades cometidas pelo regime autoritário, enquanto a busca por justiça e verdade continua, décadas após o fim da ditadura.

*Com informações da Agência Brasil.


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