Câmara dos Deputados aprova incentivos para descarbonização de veículos e nova taxa para produtos importados

Projeto de Lei 914/24, que institui o Programa Mobilidade Verde e Inovação, prevê incentivos financeiros e redução de impostos para veículos sustentáveis.
Projeto de Lei 914/24, que institui o Programa Mobilidade Verde e Inovação, prevê incentivos financeiros e redução de impostos para veículos sustentáveis.

A Câmara dos Deputados aprovou, na última terça-feira (28/05/2024), o Projeto de Lei 914/24, que institui o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover). O projeto, que tem como objetivo estimular a pesquisa e desenvolvimento de soluções tecnológicas para a produção de veículos com menor emissão de gases do efeito estufa, prevê incentivos financeiros de R$ 19,3 bilhões ao longo de cinco anos e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A proposta será encaminhada ao Senado para apreciação. O texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado Átila Lira (PP-PI), que também incluiu a criação de uma taxa de 20% sobre produtos importados até o valor de 50 dólares. Esta mudança é uma resposta à política de isenção do Imposto de Importação para compras internacionais de pessoas físicas abaixo desse valor, introduzida pelo programa Remessa Conforme.

De autoria do Poder Executivo, o texto original do projeto é semelhante à Medida Provisória 1205/24, que perde vigência no próximo dia 31. Um decreto presidencial e uma portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdics) já regulamentaram a redução do IPI e a habilitação dos projetos das indústrias e montadoras do setor para acessar os incentivos financeiros, orçados em R$ 3,5 bilhões para 2024.

O relator do projeto, deputado Átila Lira, enfatizou a importância da iniciativa para a economia e a criação de empregos.

“O projeto dará um novo cenário econômico de produtividade para setores que geram emprego e renda”, afirmou Lira.

Em relação à taxação de produtos importados, a proposta visa equilibrar a concorrência entre produtos nacionais e estrangeiros. O deputado Gervásio Maia (PSB-PB) defendeu a medida como uma forma de proteger empregos no Brasil.

“A alíquota de 20% minimiza danos à indústria nacional, que não tem condições de competir com os preços da China”, declarou Maia.

O Programa Mover exigirá que as empresas tenham projetos aprovados pelo ministério e apliquem percentuais mínimos de sua receita bruta em pesquisa e desenvolvimento de soluções para descarbonização e tecnologias assistivas nos veículos. Serão admitidos projetos para novos produtos ou modelos de veículos, serviços de pesquisa e inovação, instalação de unidades de reciclagem, realocação de unidades industriais e produção, e instalação de postos de abastecimento de gás veicular.

A habilitação das empresas no programa valerá até 31 de janeiro de 2029, e os créditos não serão cumulativos com os do programa Rota 2030, extinto a partir de abril deste ano.

Durante a sessão, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) argumentou que a tipificação de crimes contra o Estado democrático, incluída na proposta, é crucial para proteger a democracia e evitar a disseminação de fake news que possam comprometer o processo eleitoral.

O projeto também prevê incentivos para a produção de bicicletas, inclusive elétricas, através da redução do IPI, conforme cada etapa do processo produtivo. Esta medida foi aprovada por acordo entre os partidos, com a emenda proposta pelo deputado Jilmar Tatto (PT-SP).

Os créditos do Mover serão equivalentes a 50% do investimento em pesquisa e desenvolvimento, limitados a 5% da receita bruta total de vendas de bens e serviços do segundo mês anterior ao cálculo. O cálculo poderá ser ajustado em períodos sucessivos, permitindo a compensação de investimentos menores em um mês com maiores em outros, dentro de um período de três anos. Esses créditos serão considerados como crédito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e poderão ser usados para compensar tributos ou para ressarcimento em dinheiro após quatro anos do pedido.

A Portaria 43/24 do Mdics estabelece que até 60% dos limites globais de créditos anuais serão liberados para projetos de pesquisa e desenvolvimento, sem vinculação a unidades produtivas e maquinário. Os projetos de investimento em ativos fixos, novos modelos de veículos e relocação de unidades industriais terão acesso ao restante dos recursos.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.