Durante a cerimônia de posse da nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a questão dos investimentos em fertilizantes foi ressaltada como crucial para a redução da dependência externa do Brasil nesse setor estratégico. Segundo o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), o país ocupa a quarta posição mundial em consumo de fertilizantes, com a soja, milho e cana-de-açúcar liderando o uso desses insumos. Contudo, aproximadamente 90% dos fertilizantes consumidos são importados, o que coloca o Brasil em uma posição vulnerável diante de oscilações no mercado internacional, como destacado por Cibele Vieira, diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Para Vieira, o Brasil negligenciou historicamente o desenvolvimento do setor de fertilizantes, apesar de sua robusta exportação de commodities agrícolas. Ela argumenta que a recente reabertura da fábrica de Araucária Nitrogenados no Paraná, prevista para 2025, e os planos de retomada em Bahia e Sergipe representam um passo importante para fortalecer a produção nacional. A diretora da FUP também enfatizou que a dependência externa de fertilizantes compromete a soberania alimentar do país, afetando tanto o agronegócio quanto os pequenos produtores.
A discussão sobre a retomada dos investimentos da Petrobras no setor de fertilizantes não é apenas uma resposta às necessidades internas de abastecimento, mas também uma oportunidade para ampliar o mercado de gás natural, como destacou Magda Chambriard durante seu discurso. O plano estratégico visa alcançar até 2050 uma produção nacional capaz de suprir entre 45% e 50% da demanda interna, reduzindo significativamente a dependência de importações.
Marco Antônio Rocha, professor da Unicamp, pondera que, em condições normais, a entrada da Petrobras nesse setor não seria justificada, mas em um cenário de incertezas internacionais, como o conflito na Ucrânia, fortalecer a produção interna de fertilizantes torna-se uma medida estratégica para proteger a economia nacional.
O debate também inclui a possibilidade de investimentos estrangeiros, como o recente complexo inaugurado pela EuroChem em Minas Gerais, que representou um investimento significativo em tecnologia de produção. Para Sillas de Souza Cezar, da FAAP, parcerias com países como Rússia e Arábia Saudita poderiam trazer benefícios tecnológicos importantes para o Brasil, apesar dos desafios institucionais e ambientais que precisariam ser superados.
*Com informações da Sputnik News.
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