No primeiro dia de seu julgamento por tentativa de homicídio contra a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, o brasileiro Fernando Montiel, de 37 anos, não hesitou em detalhar suas motivações e sentimentos que o levaram a realizar o atentado. Durante três horas de depoimento, Montiel assumiu toda a culpa pelo crime, isentando os outros dois acusados, sua então namorada Brenda Uliarte e o colega de trabalho Nicolás Carrizo, e se autodefiniu como um “zé ninguém que tentou fazer com as próprias mãos o que a Justiça não fez”.
Declarando-se “apolítico”, Montiel explicou que sua motivação foi pessoal, motivada pelo que descreve como injustiças cometidas pela ex-presidente.
“Eu queria fazer um favor à sociedade porque Cristina Kirchner é uma ladra que destruiu a economia do país”, afirmou Montiel durante seu depoimento, enfatizando sua frustração com o sistema judicial argentino, que, segundo ele, não responsabilizou Kirchner por alegados crimes de corrupção.
O brasileiro admitiu abertamente sua intenção de matar Cristina Kirchner, descrevendo o atentado como um ato de justiça que visava desestabilizar o país e provocar uma guerra civil, caso tivesse sucesso.
“Acredito que tenha sido um ato de justiça. Não foi um ato no qual eu procurei me favorecer economicamente. Tem uma conotação mais profunda, mais ética e mais comprometida com o bem social”, afirmou Montiel, destacando sua visão sobre o papel que a Justiça deveria desempenhar na sociedade.
Durante o depoimento, Montiel também tentou isentar sua ex-companheira Brenda Uliarte, afirmando que ela compartilhava suas ideias, mas não tinha certeza sobre suas intenções reais. Quanto a Nicolás Carrizo, Montiel negou qualquer envolvimento do colega no planejamento ou execução do atentado, descrevendo-o apenas como um colega de trabalho sem ligação com seus planos.
O atentado, que ocorreu em setembro de 2022, falhou quando Montiel, a menos de um metro de distância de Kirchner, não conseguiu disparar sua arma por esquecer de carregá-la previamente. Desde então, o caso tem sido um ponto de controvérsia na Argentina, polarizando opiniões sobre as motivações por trás do crime e suas consequências políticas.
O julgamento, que está apenas começando, prevê a convocação de 277 testemunhas nos próximos meses, incluindo a própria Cristina Kirchner. A sentença final é esperada dentro de um período entre seis meses e um ano.
*Com informações da RFI.
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