O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central optou por manter a taxa Selic em 10,5% ao ano, decisão unânime entre seus membros. A medida representa uma pausa no ciclo de cortes iniciado há quase um ano, refletindo um cenário econômico global marcado pela incerteza e pela elevação da inflação doméstica.
A decisão contraria a expectativa de alguns analistas, que previam novos cortes na taxa básica de juros para estimular a atividade econômica frente aos desafios impostos pelo cenário internacional. Até a última reunião, realizada em maio, o Copom vinha reduzindo a Selic consecutivamente, embora em ritmo menos acelerado nos últimos meses.
O comunicado do Copom justifica a manutenção da Selic citando o cenário global incerto e as pressões inflacionárias internas, que têm mostrado resistência à desaceleração. Indicadores de atividade econômica e mercado de trabalho apresentam dinamismo superior ao previsto, enquanto medidas de inflação subjacente permanecem elevadas, acima das metas estabelecidas.
A taxa Selic, agora estabilizada em 10,5% ao ano, é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para conter a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em maio, o IPCA registrou alta de 0,46%, impulsionado principalmente pelo aumento nos preços dos alimentos após as enchentes no Rio Grande do Sul. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação atingiu 3,93%, superando o centro da meta estabelecida para este ano.
O próximo Relatório de Inflação, que será divulgado no fim de junho, poderá trazer revisões nas projeções do Banco Central, levando em conta os recentes eventos econômicos e climáticos que impactaram os índices de preços. Enquanto isso, as expectativas do mercado apontam para uma inflação oficial de 3,96% ao final de 2024, abaixo do limite máximo da meta.
A decisão de manter a Selic em 10,5% ao ano visa equilibrar a necessidade de estimular a economia com o compromisso de manter a inflação sob controle. Os juros mais altos desestimulam o consumo e a produção, mas são essenciais para conter pressões inflacionárias que poderiam comprometer a estabilidade econômica a médio prazo.
*Com informações da Agência Brasil.










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