Insegurança alimentar extrema ameaça 18 regiões do mundo, alertam agências humanitárias

Nesta quarta-feira (05/06/2024), a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) lançaram um relatório alarmante sobre a insegurança alimentar extrema que ameaça 18 regiões do mundo. Intitulado “Alerta de Fome”, o documento destaca que, sem uma intervenção urgente, essas áreas poderão enfrentar uma “tempestade de fome”, com consequências devastadoras para milhões de pessoas.

A maioria dos “pontos críticos de fome” identificados está na África, mas a crise também se estende a outras regiões. O relatório destaca a Faixa de Gaza e o Sudão como áreas de conflito onde a insegurança alimentar extrema poderá persistir e se agravar, elevando o risco de novas emergências em nível regional.

O estudo cobre 17 países, além de um grupo de nações do sul da África – Maláui, Moçambique, Zâmbia e Zimbábue – que enfrentam severas secas. Entre as áreas de maior preocupação estão Mali, Territórios Palestinos, Sudão e Sudão do Sul, onde o nível de alerta é extremamente alto e exige atenção imediata.

O Sudão do Sul, em particular, enfrenta uma crise tão grave que o número de pessoas em situação de fome e morte poderá quase dobrar entre abril e julho de 2024, em comparação com o mesmo período de 2023. O país, que sofre com a falta de alimentos e a depreciação da moeda, também enfrenta previsões de inundações e conflitos internos contínuos, exacerbando a insegurança alimentar.

Cenários de violência e escassez

A crise alimentar não é exclusiva da África. Países como Haiti, Chade, República Democrática do Congo, Mianmar, Síria e Iêmen também estão em situação crítica. A violência e as ameaças à segurança alimentar no Haiti, por exemplo, levaram o país a ser incluído no relatório devido à escalada da violência.

Moçambique, anteriormente não listado, agora enfrenta uma crise aguda de insegurança alimentar. Outros países adicionados à lista de focos críticos de fome incluem República Centro-Africana, Líbano, Nigéria, Serra Leoa e Zâmbia, além de Burkina Faso, Etiópia, Malaui, Somália e Zimbábue.

O relatório também aborda os impactos dos choques climáticos, como as secas persistentes no sul da África e as inundações no leste do continente, associadas ao fenômeno El Niño. Mesmo com sinais de que El Niño está chegando ao fim, suas consequências foram severas e generalizadas. A possível chegada de La Niña entre agosto de 2024 e fevereiro de 2025 poderá agravar ainda mais a situação, com a expectativa de redução significativa das chuvas.

As implicações da mudança climática são profundas e afetam várias regiões, com riscos de inundações e desastres naturais em países como Sudão do Sul, Somália, Etiópia, Haiti, Chade, Mali e Nigéria. Esses extremos climáticos têm o potencial de devastar vidas e meios de subsistência.

Apelo internacional por intervenção

Cindy McCain, diretora executiva do PMA, enfatizou a necessidade de ação imediata. Ela lembrou a tragédia na Somália em 2011, onde metade das 250 mil mortes ocorreu antes que a fome fosse oficialmente declarada.

“O mundo não deu ouvidos aos avisos na época, e as repercussões foram catastróficas. Precisamos agir agora para impedir que esses pontos críticos se transformem em uma tempestade de fome”, alertou McCain.

*Com informações da ONU News.


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