Patrimônio arquitetônico de Feira de Santana: UEFS tem estudo sobre restauração do “Carro de Boi”

Reunião discute propostas para preservação do patrimônio arquitetônico em Feira de Santana.
Reunião discute propostas para preservação do patrimônio arquitetônico em Feira de Santana.

A preservação do patrimônio arquitetônico de Feira de Santana ganhou destaque em uma reunião ampliada da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal, onde foram discutidas propostas para restauração e conservação de imóveis históricos significativos para a cidade. Um dos pontos principais abordados foi o projeto de restauração do antigo restaurante “Carro de Boi” e das instalações da escola pública no Centro de Cultura Amélio Amorim, conduzido por mestrandos em Desenho, Cultura e Interatividade na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

Os arquitetos, também urbanistas, enfatizaram a necessidade de conscientização dos proprietários sobre a importância do patrimônio histórico local. Muitos desconhecem o valor cultural e histórico de seus imóveis, o que compromete a preservação desses espaços. Além disso, sugeriram a padronização de totens e letreiros em prédios comerciais para preservar a identidade visual e combater a poluição visual que afeta áreas urbanas.

Durante a reunião, o vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico, Ângelo Pinto, criticou a falta de regulamentação e fiscalização efetiva por parte do IPAC (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural), destacando casos específicos como a Igreja dos Remédios e o coreto da praça Bernardino Bahia, onde o órgão teria adotado critérios diferentes para intervenções.

“É necessário estabelecer regras claras e consistentes para proteger nosso patrimônio”, enfatizou Ângelo Pinto.

Os mestrandos da UEFS também levantaram preocupações quanto à ausência de fiscalização adequada nas reformas e restaurações de imóveis históricos, além da necessidade urgente de tombamento de prédios emblemáticos como as filarmônicas 25 de Março e Vitória, e o Montepio dos Artistas Feirenses. Propuseram ainda a realização de concursos públicos pela Prefeitura para integrar arquitetos urbanistas em seus quadros, visando uma gestão mais eficaz do patrimônio urbano.

O presidente da Comissão de Educação e Cultura, Jhonatas Monteiro, anunciou a elaboração de um plano de ação para a preservação do patrimônio arquitetônico de Feira de Santana, salientando a importância de estender o olhar para além do centro histórico da cidade. Locais como Najé, Marajó e Rua Nova foram mencionados como áreas que demandam maior atenção e investimento em seus imóveis históricos menos ostensivos, porém igualmente relevantes.

A arquiteta Tamires Aguiar enfatizou a necessidade de desenvolver projetos que possam gerar renda para esses imóveis, viabilizando assim sua manutenção e preservação a longo prazo. Ela convocou a classe dos arquitetos a se unir em uma frente coesa para participar ativamente desse processo, buscando soluções integradas para a valorização e conservação do patrimônio urbano feirense.

O debate evidenciou a complexidade e a importância da gestão do patrimônio arquitetônico de Feira de Santana, ressaltando a necessidade de ações coordenadas entre instituições públicas, universidades, especialistas e a comunidade para assegurar a preservação e valorização dos espaços históricos da cidade.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.