Diversos veículos de imprensa têm sugerido que a Arábia Saudita estaria prestes a fechar um importante pacto com os Estados Unidos. Foram empregadas expressões bombásticas como “mega-acordo” e “super barganha”, porque ele aproximaria ambas as nações de modos significativos, entre os quais um pacto de defesa mútua e cooperação em tecnologias emergentes, como inteligência artificial, e um programa nuclear com fins civis.
Originalmente o pacto estaria estreitamente associado à normalização das relações entre Riad e Tel Aviv. No entanto, esse aspecto teve que ser posto de lado, já que os sauditas insistem no reconhecimento, por Israel, de um caminho em direção a um Estado palestino, enquanto os israelenses barram terminantemente tal perspectiva.
No entanto – como noticiaram desde o início de maio o The New York Times, a agência de notícias Reuters e os britânicos Financial Times e The Guardian – ainda é provável que o “mega-acordo” saudi-americano avance: só que sem Israel. Não se conhecem detalhes, mas são conhecidas as ambições de Riad quanto à energia nuclear, por lhe apresentarem uma chance de diversificação em relação ao petróleo.
Contudo, além de ser um dos mais prováveis, esse também é um dos aspectos mais polêmicos do acordo. Isso, porque a Arábia Saudita está determinada a enriquecer urânio em seu próprio solo, explica Kelsey Davenport, diretora de não proliferação da Arms Control Association, de Washington. E a tecnologia utilizada para o enriquecimento de urânio produz combustível para reatores nucleares, mas também pode resultar em material utilizável em armas nucleares.
“A Arábia Saudita é irredutível nesse ponto: ela abandonará um pacto de cooperação nuclear com Washington antes de renunciar ao enriquecimento”, afirma Davenport.
Em setembro de 2023 o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, estampou as manchetes internacionais ao comentar que, se seu rival regional Irã conseguir uma bomba nuclear, a Arábia Saudita precisará de uma, também.
*Com informações da DW.











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