Reforma tributária: Cashback para baixa renda depende de definição sobre formato de devolução

Debate no Congresso Nacional gira em torno da operacionalização do cashback para famílias de baixa renda previsto na reforma tributária.
Debate no Congresso Nacional gira em torno da operacionalização do cashback para famílias de baixa renda previsto na reforma tributária.

A inclusão do cashback como benefício para famílias de baixa renda na reforma tributária está garantida, mas a forma como será operacionalizada ainda é objeto de intensos debates no Congresso Nacional. O Projeto de Lei Complementar 68/2024 propõe devolver parte dos impostos pagos em compras de bens e serviços essenciais, mas não especifica claramente os mecanismos para essa devolução, gerando dúvidas entre especialistas e parlamentares.

Segundo o texto do PLP, em casos como contas de água, esgoto, luz e gás, o cashback seria aplicado diretamente na fatura do consumidor. No entanto, para outros tipos de compras, como aquisição de eletrônicos, a forma de devolução ainda não está definida. Fellipe Guerra, membro da Comissão de Estudos da Reforma Tributária no Conselho Federal de Contabilidade (CFC), ressalta a necessidade de um debate cuidadoso sobre a implementação prática do cashback:

“É fundamental discutir como será operacionalizado o cashback para garantir que as famílias de baixa renda realmente se beneficiem. Ainda há questões em aberto, como a viabilidade técnica de conceder o desconto no momento da compra em todos os estabelecimentos, o que pode impactar pequenos comerciantes”, afirma Guerra.

A professora Bianca Xavier, da FGV Direito Rio, acrescenta que a tecnologia disponível nos diversos pontos de venda também influenciará na decisão final sobre a forma de devolução do cashback:

“O governo considera a possibilidade de realizar o cashback diretamente no momento da compra, mas precisa assegurar que tanto grandes redes quanto pequenos comerciantes tenham capacidade tecnológica para implementar essa medida de forma eficaz. Caso contrário, a alternativa seria depositar os valores na conta dos beneficiários após a compra”, explica Bianca.

O projeto de lei complementar estipula que o dinheiro destinado ao cashback seja gerido por um Comitê Gestor, que posteriormente repassará os valores ao agente financeiro responsável pelo crédito aos beneficiários. Embora o texto não mencione explicitamente a Caixa Econômica Federal como agente financeiro, a professora Xavier destaca que a instituição poderia assumir esse papel devido à sua experiência prévia na gestão de programas sociais como o Bolsa Família.


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