Maria Isabel Salvador, representante especial do secretário-geral da ONU para o Haiti, apresentou um relatório contundente sobre a situação no país caribenho durante uma sessão do Conselho de Segurança. Ela destacou que os abusos de direitos humanos no Haiti atingiram níveis alarmantes, afetando profundamente a população local e criando um ambiente de insegurança generalizada.
O relatório abrange uma série de eventos preocupantes, incluindo tiroteios em massa, assassinatos seletivos, estupros coletivos, sequestros, incêndios criminosos e saques contra propriedades civis, incluindo hospitais e escolas. Estes atos de violência são frequentemente cometidos por gangues armadas que operam com impunidade em diversas partes do país.
A representante especial expressou profunda preocupação com a situação das crianças, frequentemente vítimas de violência indiscriminada e abusos graves por parte das gangues. Além disso, destacou que defensores dos direitos humanos, jornalistas e membros do judiciário enfrentam ameaças constantes, o que tem levado muitos deles a interromper suas atividades ou até mesmo fugir do país em busca de segurança.
A crise humanitária também é evidenciada pelo aumento significativo no número de deslocados internos, que já ultrapassou 578 mil pessoas até junho, um aumento de 60% desde março. Apenas 20% das unidades de saúde estão operacionais, o que agrava ainda mais a situação humanitária no Haiti.
Em resposta à deterioração da situação de segurança, o Haiti recebeu recentemente o primeiro contingente de 200 forças policiais da Missão Multinacional de Apoio à Segurança (MSS), originárias do Quênia. Esta iniciativa, coordenada pela Polícia Nacional Haitiana, visa fortalecer as capacidades locais de segurança e combate à violência.
Apesar dos esforços das Nações Unidas e seus parceiros para prestar assistência humanitária, o acesso restrito e a falta de financiamento adequado têm sido obstáculos significativos. O Plano de Resposta Humanitária de 2024 possui apenas 24,3% dos fundos necessários para sua implementação, o que limita severamente a capacidade de resposta às necessidades urgentes da população haitiana.
Maria Isabel Salvador enfatizou a importância de fortalecer as operações da ONU no Haiti, garantindo que sejam capazes de monitorar e responder de forma eficaz aos abusos de direitos humanos. Ela reiterou o compromisso da ONU em apoiar a definição de uma estrutura robusta de direitos humanos como parte essencial de seu mandato, buscando contribuir para uma solução duradoura para a crise no país.
*Com informações da ONU News.










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