O cenário da malária no Brasil continua desafiador, especialmente nas regiões da Amazônia e em locais de difícil acesso como áreas indígenas e garimpos. Em entrevista ao Brasil 61, o coordenador de Eliminação da Malária do Ministério da Saúde, Alexander Vargas, destacou os esforços do Programa Brasil Saudável para combater a doença e suas raízes sociais.
Concentração geográfica e fatores socioeconômicos
Vargas explicou que a malária está intimamente ligada às condições socioeconômicas, afetando principalmente áreas rurais, assentamentos novos e garimpos.
“Nessas áreas, encontramos populações mais vulneráveis devido ao difícil acesso aos serviços de saúde e às condições propícias para a proliferação do mosquito transmissor”, afirmou.
Sobre o tratamento, Vargas destacou a implementação da Tafenoquina como uma inovação recente.
“Essa droga permite um tratamento mais eficaz e de curta duração, aumentando a adesão dos pacientes ao tratamento”, explicou. Ele ressaltou a importância do diagnóstico precoce, realizado por profissionais capacitados em áreas remotas através de testes rápidos.
Os impactos de não tratar a malária incluem não apenas a transmissão contínua da doença, mas também complicações graves, especialmente nas formas mais letais como a malária falciparum. Vargas enfatizou a utilização de mosquiteiros, repelentes e outras medidas preventivas como essenciais para reduzir a carga da doença e proteger as populações mais vulneráveis.
Com relação às populações indígenas e aos garimpeiros, Vargas mencionou a complexidade logística de acesso e tratamento.
“Estamos fortalecendo ações específicas nessas comunidades, que muitas vezes requerem transporte aéreo ou fluvial para atendimento médico”, disse ele.
Estratégias do Programa Brasil Saudável
O Programa Brasil Saudável visa não apenas tratar os casos existentes, mas também eliminar a malária como problema de saúde pública até 2035.
“Nossas estratégias incluem intensificar o diagnóstico precoce, expandir o acesso ao tratamento eficaz e implementar medidas preventivas como telas em casas e educação em saúde”, concluiu Vargas.










Deixe um comentário