China enfrenta desafios econômicos durante terceira plenária do partido comunista

O Partido Comunista Chinês (PCC) deu início nesta segunda-feira (15/07/2024) à terceira plenária, um encontro crucial para definir as novas metas econômicas do país. A reunião ocorre após a publicação de dados econômicos pelo Escritório Nacional de Estatísticas, que apontam para uma desaceleração do crescimento. Com duração de quatro dias, o evento busca acalmar os investidores estrangeiros em um contexto de desafios econômicos significativos.

Os dados recentes indicam um crescimento anual de 4,7%, o mais baixo desde o início de 2023, quando as restrições contra a Covid-19 foram finalizadas. As vendas no varejo aumentaram apenas 2% em junho em comparação ao ano anterior, a menor taxa desde dezembro de 2022. A produção industrial também desacelerou, registrando um aumento de 5,3% em junho, abaixo dos 5,6% de maio.

Especialistas aguardam sinais claros que possam garantir um crescimento sustentável. No entanto, o primeiro-ministro Li Qiang afirmou que o avanço será cauteloso. Os dirigentes chineses enfrentam o desafio de resolver a dívida dos governos locais enquanto incentivam o consumo, sem aumentar as ajudas sociais.

A plenária também aborda a fragmentação do mercado interno, com discussões sobre uma nova reforma do “hukou”, sistema de registro residencial que afeta trabalhadores migrantes. Reformas previdenciárias são consideradas, à medida que o envelhecimento da população pressiona as finanças públicas. Questões semelhantes foram discutidas na plenária de 2013, com reformas para reduzir a intervenção do Estado na economia.

A economia chinesa enfrenta desafios internacionais, com Estados Unidos e União Europeia implementando barreiras comerciais para proteger seus mercados. Apesar disso, não há sinais de que Xi Jinping anunciará medidas para estimular o consumo interno. Especialistas preveem a continuidade da ênfase na produção industrial de bens de alto valor agregado.

Setor imobiliário e superendividamento

Outro ponto crucial é o superendividamento do setor imobiliário, tradicional pilar de crescimento na China. As medidas de apoio anunciadas por Pequim até agora tiveram impacto limitado. Analistas destacam a necessidade de ações mais vigorosas para enfrentar o problema, conforme comunicado pelo banco Goldman Sachs.

Os dirigentes chineses enfrentam a complexa tarefa de implementar mudanças políticas significativas sem que sejam vistas como uma admissão de fracasso das medidas atuais. A plenária, realizada a portas fechadas, deve definir as grandes metas econômicas da China para os próximos cinco anos, com a certeza de que o regime não planeja uma revolução em suas políticas econômicas, conforme indicado pelo “Diário do Povo”, jornal oficial do PCC.

*Com informações da RFI.


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