Declaração da OTAN reforça hegemonia dos EUA, afirma economista

A mais recente declaração conjunta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) representa um firme compromisso com a hegemonia dos Estados Unidos, de acordo com Jeffrey Sachs, economista e presidente da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. Sachs expressou suas opiniões à Sputnik, ressaltando a orientação neoconservadora do documento.

“A Declaração da OTAN é um forte compromisso neoconservador com a hegemonia dos EUA. Ela chama a OTAN a apoiar a ‘ordem baseada em regras’, que na verdade é a ordem baseada nos EUA, que é muitas vezes diretamente contrária à Carta da ONU”, afirma Sachs.

Divulgada na quarta-feira (10), durante a Cúpula de Washington, a declaração da OTAN descreve esforços para isolar ainda mais a Rússia, reforçar a segurança do bloco no flanco oriental e aumentar a assistência de segurança para a Ucrânia. Além disso, afirma que a Ucrânia está em um “caminho irreversível” para a adesão à OTAN, entre outras iniciativas.

“[A declaração] descreve a OTAN como uma força defensiva, apesar de a OTAN estar repetidamente envolvida em operações ofensivas de mudança de regime, incluindo no Afeganistão, Iraque, Sérvia, Líbia, Ucrânia e outros [países]”, disse o economista.

Sachs explicou que a declaração também reafirma o Artigo 10 do Tratado de Washington, que nega à Rússia qualquer influência sobre a expansão da OTAN para cercar o país. Este ponto levanta preocupações sobre as implicações de segurança e a potencial escalada de tensões regionais.

Além disso, Sachs apontou que a declaração reafirma o compromisso da OTAN com biotecnologias avançadas, o que gera preocupações sobre a possível utilização em guerra biológica. Ele destacou a continuidade da implantação de mísseis antibalísticos em toda a Europa, como na Polônia, Romênia e Turquia, desestabilizando a arquitetura de controle de armas nucleares desde que os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do Tratado de Mísseis Antibalísticos em 2002.

A Casa Branca anunciou recentemente que os Estados Unidos iniciarão implantações episódicas de mísseis de longo alcance na Alemanha em 2026. Em resposta, o embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, declarou que esses planos representam uma ameaça direta à segurança internacional e aumentam os riscos de uma corrida armamentista de mísseis.

Esta série de eventos e declarações sublinha a crescente complexidade e tensão nas relações internacionais, destacando a influência contínua dos Estados Unidos nas políticas e estratégias da OTAN, e suas repercussões globais.

*Com informações da Sputnik News.


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