Desde sua ascensão como a principal moeda de reserva global no pós-Segunda Guerra Mundial, o dólar americano tem sido central no funcionamento do sistema financeiro internacional. No entanto, segundo Paul Goncharoff, analista financeiro da Goncharoff LLC, essa posição privilegiada também trouxe consigo uma série de desafios e críticas ao longo das décadas. Em uma análise contundente, Goncharoff observa que o dólar se transformou em uma ferramenta “unipolar e politicamente armada”, sujeita a abusos que vão desde déficits persistentes até o uso de sanções com motivação política.
A implementação do sistema de Bretton Woods há 80 anos solidificou o dólar como a moeda de reserva global, apoiada por robustas reservas de ouro. Esse arranjo permitiu aos Estados Unidos dominar economicamente o cenário mundial, mas não sem consequências. A partir da década de 1960, déficits crescentes na balança de pagamentos dos EUA e a incapacidade de manter a paridade ouro-dólar revelaram as fraquezas estruturais do sistema, conforme explica Goncharoff. Essas deficiências, segundo o analista, ecoam nos desafios atuais enfrentados pelas economias globais em relação à política monetária dos EUA.
O surgimento do BRICS exemplifica uma reação organizada contra a hegemonia do dólar, buscando desdolarizar transações e reduzir dependências externas. Goncharoff aponta que essa iniciativa reflete uma crescente desconfiança internacional no dólar, exacerbada pela flexibilização quantitativa (QE) dos últimos anos. Esta política monetária, segundo o analista, carece de uma âncora sólida, impondo custos elevados aos países não usuários do dólar que optam por mantê-lo como reserva.
Em resposta às incertezas e aos custos associados ao dólar, várias economias, incluindo membros do BRICS, têm promovido o uso de suas próprias moedas para transações internacionais, reduzindo gradualmente sua dependência do dólar americano. Goncharoff adverte que essa transição pode aumentar a volatilidade nos mercados financeiros globais, potencialmente minando a estabilidade que o dólar historicamente proporcionou.
A geopolítica comercial também está se adaptando a essas mudanças, com blocos regionais como o BRICS e a União Econômica Eurasiática ganhando destaque. Países como China e Rússia têm procurado diversificar suas reservas e fortalecer suas moedas contra as instabilidades associadas ao dólar. Para Goncharoff, a crescente preocupação global com sanções unilaterais dos EUA e a possível sobre-exposição ao dólar indicam uma perda de confiança no papel dos Estados Unidos como parceiro comercial global confiável.
Em conclusão, Goncharoff argumenta que os Estados Unidos enfrentam desafios significativos para manter a primazia do dólar em um cenário econômico global cada vez mais fragmentado e multipolar. O analista prevê que choques futuros podem expor ainda mais a vulnerabilidade do dólar, alimentando um debate contínuo sobre o seu papel no futuro do sistema financeiro internacional.
*Com informações da Sputnik News.










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