Polícia Civil da Bahia prende terceiro suspeito da morte de Mãe Bernardete

Na noite de terça-feira (23/07/2024), policiais civis do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) prenderam Ydney Carlos dos Santos de Jesus, também conhecido como “Café”, no bairro de Stella Maris, em Salvador. Ele é suspeito de ter auxiliado no plano de execução da líder quilombola ialorixá Mãe Bernardete. Além de ser identificado como gerente do tráfico local, “Café” integrava a carta ‘Dama de Ouros’ do Baralho do Crime da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).

Com Ydney, foram apreendidos uma pistola municiada e porções de entorpecentes. Ele teve o mandado de prisão preventiva cumprido e, após exames de lesões, permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil informa que cinco homens são suspeitos de envolvimento no crime, três estão presos e dois permanecem foragidos. Existe um sexto indivíduo que teria armazenado as armas utilizadas na execução. Os envolvidos fazem parte de uma organização criminosa liderada por Marílio, conhecido como “Maquinista”, ainda foragido.

A prisão de Ydney direciona os esforços da Polícia Civil para localizar os demais suspeitos. Segundo a delegada-geral Heloísa Brito, “Café” era um interlocutor entre o quilombo de Mãe Bernardete e “Maquinista”, devido ao seu envolvimento no tráfico e ao conhecimento do filho da líder. A delegada explicou que, na véspera do assassinato, Ydney e Mãe Bernardete discutiram sobre a instalação de uma barraca de drogas no quilombo, negada pela líder, o que motivou a articulação do crime.

O Ministério Público da Bahia (MPBA) indicou que os ideais da ialorixá e sua luta pela ordem na comunidade quilombola entravam em conflito com os interesses dos líderes do tráfico. A liderança de Maria Bernadete impedia a expansão do comércio de entorpecentes e negócios no entorno da barragem de Pitanga dos Palmares, área de preservação ambiental. A ordem para a execução veio de “Maquinista”.

Desde o início das investigações, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) realizou aproximadamente 80 oitivas e solicitou 20 medidas cautelares deferidas pelo Poder Judiciário. Análises de 14 laudos periciais confirmaram o uso das armas apreendidas no crime. Testemunhas reconheceram os autores, e o executor confessou, apontando o mandante e a motivação.

O inquérito policial foi concluído em 9 de novembro de 2023, com três pessoas presas em flagrante e outras três com mandados de prisão. A inclusão dos acusados no Baralho do Crime facilitou a prisão. O secretário de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), Felipe Freitas, destacou o esforço do Estado na luta contra a impunidade e a importância de enviar um sinal claro de intolerância à violação de direitos humanos.

O titular da SJDH mencionou que o Estado e o Governo Federal criaram um grupo de trabalho para acelerar a demarcação de terras, garantindo políticas públicas e proteção para a comunidade quilombola, como medida preventiva para evitar tragédias semelhantes.

Os suspeitos do caso são:

  • Marílio dos Santos ou “Maquinista” (foragido) – mandante e mentor intelectual do crime.
  • Josevan Dionísio dos Santos ou “BZ” ou “Buzuim” (foragido) – um dos executores imediatos.
  • Ydney Carlos dos Santos de Jesus ou “Café” (preso) – gerente do tráfico local e “braço direito” de “Maquinista”.
  • Sérgio Ferreira de Jesus (preso) – participante do crime.
  • Arielson da Conceição dos Santos (preso) – acusado como outro autor dos disparos.
  • Carlos Conceição Santiago (preso) – responsável por armazenar as armas.

A Polícia Civil continua as diligências para localizar os foragidos. Informações podem ser fornecidas anonimamente ao Disque-Denúncia da SSP-BA pelo número 181.

Entenda o caso

Maria Bernadete Pacífico Moreira, de 72 anos, foi assassinada em 17 de agosto de 2023, com 25 tiros, na sede da associação do quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. A polícia foi informada pelo neto da vítima, que estava presente no momento do crime. Os suspeitos levaram os celulares de Mãe Bernardete e dos netos, dificultando a comunicação para pedir socorro.


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