Precarização do trabalho em Angra 1 e 2 aumenta risco de acidentes nucleares, afirmam especialistas

A precarização dos contratos de trabalho, corte de benefícios e a acelerada terceirização nas usinas nucleares de Angra dos Reis preocupam especialistas em segurança. Segundo analistas entrevistados pela Sputnik Brasil, a cultura de segurança nas usinas Angra 1 e 2 está em risco, e o governo federal é acusado de omissão diante de uma potencial tragédia.

O presidente da Eletronuclear, Raul Lycurgo, anunciou neste sábado (20/07/2024) a confiança na retomada das obras da usina nuclear de Angra 3, com apoio do BNDES e conclusão prevista para 2030. A decisão será tomada em setembro pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Lycurgo destacou que já foram investidos cerca de R$ 12 bilhões em Angra 3 desde 2009 e que a conclusão do projeto é crucial para o programa nuclear brasileiro.

Apesar do otimismo com Angra 3, a Eletronuclear enfrenta instabilidade interna devido a cortes de gastos e renegociações de acordos coletivos de trabalho. Paulo Artur Pimentel Tavares, engenheiro de sistemas em Angra 1, relatou uma redução prevista de 20% na massa salarial e prejuízos significativos para as famílias dos funcionários.

A empresa também propõe a diminuição dos salários indiretos, comprometendo acordos coletivos de trabalho. Funcionários passarão a arcar com custos de manutenção das vilas residenciais, benefício historicamente garantido para garantir mão de obra de qualidade e segurança nas usinas.

Dalberto de Andrade, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica nos Municípios de Paraty e Angra dos Reis (Stiepar), criticou a Eletronuclear por retirar conquistas históricas dos trabalhadores. A precarização do setor elétrico brasileiro, intensificada desde a privatização da Eletrobras em 2022, é vista como causa do aumento de acidentes de trabalho, incluindo óbitos.

Ikaro Chaves, presidente da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras, ressaltou que a precarização no setor nuclear eleva exponencialmente os riscos de acidentes, com consequências graves para a população e o meio ambiente. Chaves defende que o governo federal e a Eletronuclear devem responder às preocupações dos trabalhadores para garantir a segurança das operações.

Pimentel Tavares lamentou a falta de comprometimento do governo federal com o programa nuclear brasileiro, citando a baixa progressão da obra de Angra 3 entre 2018 e 2024. Ele criticou a rejeição de acordos com empresas russas e chinesas, firmados durante o governo Michel Temer, e a preferência pelos EUA, que não demonstraram interesse na conclusão das obras.

Chaves destacou que a privatização da Eletrobras resultou em uma situação inusitada, onde 65% do capital da Eletronuclear pertence a uma empresa privada, o que ele considera inconstitucional. Ele questionou a falta de investimentos na Eletronuclear e o impacto na extensão da vida útil de Angra 1.

A Eletronuclear, em nota à Sputnik Brasil, negou qualquer risco operacional nas usinas Angra 1 e 2 e criticou a relação entre questões trabalhistas e segurança. A empresa afirmou cumprir rigorosamente a legislação trabalhista e os acordos coletivos vigentes, destacando benefícios oferecidos aos empregados.


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