Um relatório divulgado pela ONG Human Rights Watch (HRW) aponta que grupos armados palestinos perpetraram “centenas” de crimes de guerra e contra a humanidade durante os ataques ocorridos em 7 de outubro em Israel. A investigação, uma das mais abrangentes desde o início do conflito com o Hamas na Faixa de Gaza, foi publicada nesta quarta-feira (17/07/2024) e inclui a participação de outros grupos palestinos nas ações. O documento, intitulado “‘Não Consigo Apagar Todo o Sangue da Minha Mente’: O Ataque dos Grupos Armados Palestinos a Israel em 7 de outubro”, possui 236 páginas e documenta diversas violações do direito humanitário internacional.
Belkis Wille, diretor associado da HRW, destacou em coletiva de imprensa que “é impossível quantificar as instâncias específicas”, mas reafirmou que “obviamente, houve centenas naquele dia”. As violações relatadas incluem ataques a civis, assassinato deliberado, tratamento cruel, violência sexual, sequestro, mutilação e uso de escudos humanos.
No dia 7 de outubro, grupos armados liderados pelo Hamas realizaram ataques coordenados a bases militares, comunidades residenciais e eventos sociais no sul de Israel, atingindo pelo menos 19 kibutzim e 5 moshavim. A HRW identificou que o ataque foi direcionado à população civil, com o assassinato planejado de civis e a tomada de reféns configurando crimes contra a humanidade.
A ONG entrevistou 144 pessoas entre outubro de 2023 e junho de 2024, incluindo vítimas e equipes de socorro. Também foram analisados 280 registros audiovisuais relacionados aos ataques. Wille observou que “não foram civis de Gaza que perpetraram os piores abusos”, ressaltando uma tentativa do Hamas de desviar responsabilidades.
O relatório também menciona a “natureza incrivelmente organizada e coordenada” dos ataques, com combatentes disparando diretamente contra civis e incendiando casas. Além disso, o documento faz referência a atos de violência sexual cometidos pelos combatentes, destacando que a extensão total desses crimes pode não ser conhecida devido ao estigma e à morte das vítimas.
Os ataques resultaram em 1.195 mortes, principalmente de civis, e 251 reféns, com 116 ainda em Gaza. A resposta militar de Israel provocou pelo menos 38.664 mortes em Gaza, também majoritariamente civis. O procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional já solicitou mandados de prisão contra líderes do Hamas por crimes de guerra.
*Com informações da RFI.











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