Transformar a Amazônia em Patrimônio Mundial é transferi-la a países ricos, alerta ex-ministro Aldo Rebelo

Aldo Rebelo, ex-ministro brasileiro, adverte que essa medida poderia comprometer a soberania e beneficiar laboratórios estrangeiros em detrimento dos países amazônicos.
Aldo Rebelo, ex-ministro brasileiro, adverte que essa medida poderia comprometer a soberania e beneficiar laboratórios estrangeiros em detrimento dos países amazônicos.

A discussão sobre o futuro da Amazônia ganha novos contornos com a proposta de declará-la um Patrimônio Mundial, um movimento que, segundo Aldo Rebelo, ex-ministro brasileiro, traria consequências profundas e controversas. Em uma entrevista ao podcast Mundioka da Sputnik Brasil, Rebelo alertou que tal medida poderia transformar a biodiversidade da região em um recurso acessível principalmente aos países desenvolvidos, em especial norte-americanos e europeus.

A Amazônia, reconhecida como a maior floresta tropical do planeta, estende-se por uma vasta área da América do Sul, abrangendo seis países, sendo o Brasil detentor da maior parte de seu território. Com uma extensão de 5 milhões de quilômetros quadrados, é um ecossistema de valor incomparável, não apenas pela sua riqueza biológica, mas também pela sua importância estratégica global.

Rebelo destacou que, atualmente, a Amazônia não apenas desempenha um papel crucial na segurança alimentar global, oferecendo vastas áreas para agricultura e pecuária, como também é vital para a segurança energética, fornecendo recursos minerais essenciais para tecnologias emergentes e energias alternativas.

A preocupação com a soberania sobre a Amazônia não é nova. Historicamente, diversos países manifestaram interesses sobre a região, seja por suas riquezas naturais ou por seu potencial estratégico. Rebelo citou o exemplo da França, que ainda mantém a Guiana Francesa como território ultramarino, demonstrando que as tentativas de influência estrangeira na Amazônia são uma constante na política internacional.

Questionado sobre o papel das organizações não governamentais (ONGs), Rebelo adotou uma posição crítica, apontando que, embora algumas desempenhem um papel humanitário importante, outras têm agendas geopolíticas que podem comprometer a soberania e o desenvolvimento econômico da região. Ele enfatizou que muitas dessas entidades agem sob o pretexto de proteger o meio ambiente, mas, na prática, podem minar os interesses nacionais em prol de agendas internacionais.

Aldo Rebelo também criticou a postura de líderes europeus, como o presidente francês Emmanuel Macron, que, segundo ele, adotam uma posição hipócrita ao condenar o desmatamento na Amazônia enquanto suas próprias nações já destruíram suas florestas nativas. Para Rebelo, a Amazônia não pode ser tratada como um patrimônio internacional sem levar em consideração os direitos de soberania e desenvolvimento dos países amazônicos.

*Com informações da Sputnik News.


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