O documentário “Saravah”, dirigido pelo francês Pierre Barouh, estreia nesta quarta-feira (10/07/20254) nos cinemas da França, 55 anos após sua realização. A versão restaurada do filme, que é considerado um cult entre os apaixonados pela música brasileira, recebeu elogios de vários críticos franceses.
Pierre Barouh, músico, produtor, ator e diretor, tinha um profundo fascínio pela música brasileira desde 1959. Em 1966, ele fez a versão francesa de “Samba da Benção”, de Vinicius de Moraes e Baden Powell, intitulada “Samba Saravah”, que se tornou trilha sonora do premiado filme “Um Homem e Uma Mulher”. Três anos depois, durante a Ditadura Militar no Brasil, Barouh rodou “Saravah” no Rio de Janeiro, em um período de apenas três dias, com a colaboração de Baden Powell.
“Saravah” não é um documentário didático sobre a história da música brasileira, mas um testemunho de um momento específico. O filme captura imagens descontraídas de músicos da velha e nova geração, incluindo veteranos como Pixinguinha e João da Baiana, e jovens artistas como Maria Bethânia e Paulinho da Viola. Baden Powell, com seu violão, atua como elo entre essas gerações.
O documentário nunca teve um lançamento oficial nos cinemas até a restauração em 4K, apresentada em 2023 no Festival de Cinema Brasileiro de Paris, sob a direção de Kátia Adler. Segundo Adler, o filme é uma “pérola” do cinema brasileiro que merece ser visto pela juventude.
Philippe Powell, pianista e compositor filho de Baden Powell, manifestou grande entusiasmo com a estreia da versão restaurada. Ele destacou a maneira única com que Pierre Barouh registrou as diversas ramificações da música popular brasileira, qualificando “Saravah” como um filme que desperta a paixão pela música brasileira e pelo Brasil.
Críticos de importantes veículos de imprensa franceses também elogiaram “Saravah”. O jornal “Le Monde” descreveu o documentário como um registro sublime da música brasileira, comparando-o a uma fotografia antiga que revive momentos mágicos. Já “Libération” afirmou que Barouh conseguiu captar a identidade do Brasil através da música, destacando momentos antológicos como o encontro de Paulinho da Viola e Maria Bethânia em uma mesa de bar.
*Com informações da RFI.








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