Na sessão do Conselho de Segurança realizada na quinta-feira (15/08/2024), o enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Iêmen, Hans Grundberg, trouxe à tona a complexa e preocupante situação no país, que continua a se deteriorar. Durante seu discurso, Grundberg destacou a detenção de 13 funcionários da ONU pelo grupo Ansar Allah, conhecido como os Houthis, alertando que esses profissionais estão sendo mantidos em locais desconhecidos desde o início das detenções, há quase 80 dias.
Grundberg explicou que a campanha dos Houthis tem como alvos não apenas funcionários da ONU, mas também grupos da sociedade civil, organizações não-governamentais nacionais e internacionais, missões diplomáticas e entidades do setor privado. Entre os detidos estão trabalhadores do Escritório de Direitos Humanos da ONU e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), presos entre 2021 e 2023.
O enviado especial expressou séria preocupação com o fechamento do Escritório de Direitos Humanos da ONU em Sanaa, capital do Iêmen, e com a solicitação de retirada da equipe internacional, que ele classificou como uma “violação flagrante dos Privilégios e Imunidades da ONU”. O escritório foi invadido em 3 de agosto, agravando ainda mais as tensões.
Para Grundberg, essas ações representam um sinal preocupante sobre a direção que o grupo Ansar Allah está tomando, colocando em risco a capacidade das Nações Unidas de cumprir seu mandato no Iêmen. Ele chamou atenção para a gravidade da situação, alertando que a capacidade das Nações Unidas de operar no país está sendo comprometida, o que pode ter consequências profundas para a população iemenita, que já enfrenta enormes desafios.
A crise humanitária no Iêmen, exacerbada por uma década de conflito, continua a impactar milhões de civis. O conflito não apenas resultou em centenas de milhares de vítimas, mas também enfraqueceu o tecido social do país e prejudicou severamente a prestação de serviços públicos. Além disso, o Iêmen tornou-se ainda mais vulnerável a desastres naturais, riscos ambientais e doenças, como demonstrado pelas recentes inundações em regiões como Hodeida, Ma’rib e Tai’z, e por um surto ativo de cólera.
Em meio à escalada regional do conflito entre Israel e o Hamas em Gaza, Grundberg destacou que o Iêmen enfrenta desafios internos urgentes que precisam ser abordados. Ele fez um apelo às partes envolvidas na crise para que priorizem o bem-estar dos iemenitas, assumam a responsabilidade de cuidar do país e voltem a focar na busca de soluções políticas e humanitárias.
No âmbito do conflito, continuam os ataques dos Houthis ao Mar Vermelho e as operações militares dos Estados Unidos e do Reino Unido contra alvos em áreas controladas pelo Ansar Allah. Grundberg enfatizou que a situação é “insustentável” e pediu ao Conselho de Segurança que promova um processo político que leve a um cessar-fogo e à libertação dos funcionários das Nações Unidas detidos.
A reunião também contou com a participação de Lisa Doughten, diretora da Divisão de Financiamento e Parcerias do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Doughten informou que o plano de auxílio humanitário para o Iêmen em 2024 recebeu apenas 27% dos fundos solicitados, o que dificulta a resposta às necessidades emergenciais, incluindo as provocadas pelas chuvas torrenciais e inundações inesperadas que afetaram várias províncias iemenitas nos últimos dias.
*Com informações da ONU News.











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