Entenda por que o Brasil é uma potência paralímpica

O Brasil tem se estabelecido como uma potência no cenário paralímpico desde os Jogos de Pequim 2008, quando terminou na nona posição no quadro geral de medalhas. Desde então, a delegação brasileira tem se mantido entre os dez países que mais conquistaram medalhas. Nos Jogos de Londres 2012, o Brasil obteve 47 pódios, alcançando a sétima posição, e nas edições seguintes, no Rio 2016 e em Tóquio 2020, conquistou 72 medalhas, ocupando a oitava e sétima posições gerais, respectivamente.

Comparando com os Jogos Olímpicos realizados em Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016 e Tóquio 2020, onde o Brasil conquistou um total de 74 medalhas, a diferença em favor dos Jogos Paralímpicos destaca o país como uma potência no esporte adaptado.

Apesar dos sucessos no esporte, pessoas com deficiência no Brasil ainda enfrentam desafios significativos no cotidiano. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2022, cerca de 18,6 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, representando 8,9% da população. A taxa de analfabetismo entre essas pessoas é de 19,5%, enquanto para a população sem deficiência é de 4,1%. Apenas 25,6% das pessoas com deficiência concluíram o ensino médio, comparado a 57,3% entre os sem deficiência.

No mercado de trabalho, a taxa de ocupação para pessoas com deficiência é de 26,6%, significativamente inferior aos 60,7% da população geral. Além disso, a renda média das pessoas com deficiência é 30% menor do que a dos que não têm deficiência, totalizando R$ 1.860 contra R$ 2.690, respectivamente. Essas disparidades podem levar muitos a buscar oportunidades no esporte de alto rendimento, que oferece suporte substancial.

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), fundado em 1995, desempenhou um papel crucial no desenvolvimento do esporte paralímpico no Brasil. A Lei Agnelo Piva, sancionada em 2001, estabeleceu o repasse de parte da arrecadação das loterias federais para o CPB, que atualmente recebe 0,95% das apostas. O apoio de empresas como Asics, Braskem e Toyota também tem sido fundamental.

A infraestrutura para o esporte paralímpico no Brasil foi fortalecida com a construção do Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo, um legado dos Jogos Olímpicos do Rio de 2016. Desde 2017, o CPB tem expandido seus centros de referência e programas de desenvolvimento esportivo, alcançando 119 cidades e mais de 40 mil crianças.

Para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024, o Brasil enviará a maior delegação da sua história, com 280 atletas. As expectativas são altas, com o CPB visando superar o recorde de 72 medalhas conquistadas em Tóquio. O atletismo, o vôlei sentado e o futebol para cegos são esperados como fortes candidatos a medalhas.

*Com informações da DW.


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