As universidades americanas reafirmaram sua liderança no cenário global de educação superior com a divulgação do ranking de Xangai de 2024, publicado na última quinta-feira (15/08/2024). Harvard, mantendo uma tradição que já dura 22 anos, ocupa o primeiro lugar na classificação. A Universidade de Stanford e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) completam o pódio, em segundo e terceiro lugares, respectivamente. O Reino Unido emplacou duas instituições entre as primeiras posições: Cambridge, em quarto lugar, e Oxford, em sexto.
O ranking de Xangai, que se consolidou como uma referência mundial na avaliação das instituições acadêmicas, classifica anualmente as mil melhores universidades do mundo com base em critérios que privilegiam a produção científica. Entre os critérios utilizados estão o número de prêmios Nobel e medalhas Fields obtidos por ex-alunos e professores, a quantidade de pesquisadores altamente citados em suas respectivas disciplinas e o volume de publicações em revistas científicas de alto impacto, como Science e Nature.
As 11 primeiras posições do ranking de 2024 foram dominadas por universidades anglo-saxãs. A instituição europeia mais bem colocada foi a Paris-Saclay, da França, que ficou em 12° lugar. Já a Universidade de Tshinghua, na China, ocupou a 22ª posição, sendo a instituição asiática mais bem classificada.
No Brasil, a Universidade de São Paulo (USP) manteve sua posição entre as 150 melhores do mundo, situando-se no bloco que vai da 101ª à 150ª posição. A USP também obteve destaque em rankings específicos por área de estudo, alcançando o 14° lugar em Odontologia, o 23° em Agronomia e o 30° em Veterinária. Outras universidades brasileiras, como a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apareceram no bloco das instituições situadas entre a 401ª e a 500ª posição.
Embora o ranking de Xangai seja amplamente reconhecido, ele também é alvo de críticas, sobretudo pela ênfase dada à pesquisa em detrimento do ensino. Desde 2003, quando o ranking foi lançado por uma consultoria independente, sua metodologia tem sido questionada por acadêmicos e especialistas em educação. Um estudo francês de 2010, realizado por Jean-Charles Billaut, Denis Bouyssou e Philippe Vincke, apontou que o ranking apresenta deficiências significativas, como a negligência em relação a estruturas fundamentais das universidades. Para esses especialistas, embora o ranking tenha uma grande repercussão midiática, seus resultados não devem ser utilizados como único parâmetro para avaliar a qualidade das instituições de ensino superior.
Como em edições anteriores, mais de 2.500 universidades foram analisadas para a elaboração do ranking de Xangai, que classificou as mil melhores do mundo. A hegemonia das universidades americanas no topo do ranking reforça a importância da pesquisa como critério central na avaliação global das instituições acadêmicas.
*Com informações da RFI.










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