Feiras livres de Feira de Santana mantêm tradição e movimentam a economia local

A feira da Estação Nova é um ponto de encontro entre vendedores e compradores, onde as relações humanas se desenvolvem de forma natural.
A feira da Estação Nova é um ponto de encontro entre vendedores e compradores, onde as relações humanas se desenvolvem de forma natural.

Feira de Santana, cidade que carrega em sua essência a história de vaqueiros e tropeiros, mantém viva uma tradição que se confunde com suas origens: as feiras livres. A cidade, que surgiu como um ponto de descanso para viajantes, logo se transformou em um próspero povoado, impulsionado pelo comércio a céu aberto. Esse comércio desempenhou um papel crucial no desenvolvimento local, sendo o precursor dos grandes mercados e centros comerciais que surgiriam posteriormente.

Até 1977, Feira de Santana era reconhecida por abrigar uma das maiores feiras livres do país, comparável apenas à feira de Caruaru, em Pernambuco. Com a implantação do Centro de Abastecimento de Feira (CAF), durante a gestão de José Falcão da Silva, houve uma tentativa de modernizar o comércio popular, ao mesmo tempo em que se buscava desobstruir o centro da cidade. O novo centro comercial oferecia uma administração mais organizada e refletia a evolução socioeconômica da cidade, que já se destacava como uma metrópole em crescimento.

Entretanto, a criação do CAF não eliminou a presença das feiras livres na cidade. A feira que ocupava o centro de Feira de Santana, e que se estendia da praça da Bandeira até a avenida Getúlio Vargas, foi sucedida pela feira da Estação Nova, que se consolidou como uma das mais importantes do interior da Bahia. Atualmente, a feira da Estação Nova movimenta milhares de pessoas aos domingos, oferecendo uma ampla variedade de produtos, que vão desde frutas e verduras até peças artesanais e remédios caseiros.

A feira da Estação Nova é um ponto de encontro entre vendedores e compradores, onde as relações humanas se desenvolvem de forma natural. O trato cordial entre feirantes e fregueses, como são chamados os compradores, reforça a importância desse espaço como um ambiente de interação social. Além disso, a feira é complementada pela “feira do rolo” e pela “feira dos passarinhos”, que ampliam o alcance do comércio popular na cidade.

Para observadores e analistas, a feira da Estação Nova já se equipara, ou até supera, a antiga feira do centro da cidade. No interior da Bahia, é considerada a mais importante em atividade, reafirmando a liderança de Feira de Santana no cenário regional. Além da feira da Estação Nova, a cidade conta com outras feiras de grande dimensão, como as da Cidade Nova, do Tomba, do George Américo e do Sobradinho.

Visitar a feira livre da Estação Nova é uma oportunidade de conexão com as origens de Feira de Santana. Em um tempo marcado pela tecnologia e pela inteligência artificial, percorrer os corredores da feira, mesmo sem a intenção de comprar, permite que visitantes, turistas e habitantes da cidade resgatem um pouco da humanidade presente nas tradições locais.


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