Incêndios agravados pela seca aumentam risco de interrupções de Energia Elétrica no Brasil

Nos períodos de seca, a ocorrência de queimadas e incêndios florestais aumenta significativamente, gerando um impacto direto no fornecimento de energia elétrica em diversas regiões do Brasil. Somente em 2023, foram contabilizadas 47 mil interrupções de energia causadas por esses incidentes, conforme levantamento realizado pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O número representa um aumento de 21% em comparação ao ano anterior e é quatro vezes maior que os registros de 2019, que teve 22.349 ocorrências.

De acordo com a Abradee, até abril de 2024, o país já somava 18.107 interrupções de energia devido a incêndios, o que corresponde a 38% do total de ocorrências de 2023. A entidade alerta que o período seco, com baixa umidade, cria condições propícias para a propagação das chamas, especialmente em regiões onde o desmatamento e a limpeza de terrenos com o uso do fogo são práticas comuns. A ação dos ventos, que frequentemente acompanha as queimadas, contribui ainda mais para a disseminação das chamas, afetando redes de distribuição e transmissão de energia.

Marcos Madureira, presidente da Abradee, destaca que, além dos incêndios provocados por causas naturais, a ação humana também é um fator de risco significativo. O uso de fogo para limpeza de terrenos, o lançamento de balões e até o descarte inadequado de pontas de cigarro em áreas secas são práticas que aumentam a probabilidade de incêndios descontrolados, com potencial para causar danos consideráveis às infraestruturas elétricas e outras propriedades.

Impacto regional

O estado de Mato Grosso do Sul é uma das regiões mais afetadas por queimadas, como mostra o Boletim #5 do governo federal, que indica um aumento de 67.675 hectares na área queimada no Pantanal entre 22 e 28 de julho de 2023. A Energisa Mato Grosso do Sul (Energisa-MS), empresa responsável pela distribuição de energia no estado, relatou 15 ocorrências de queimadas que resultaram na interrupção do fornecimento de energia para 15.709 clientes em 2023. Em 2024, até julho, foram registradas 24 ocorrências, impactando 6.262 consumidores, o que corresponde a 39% do total de 2023.

Um exemplo do impacto dessas interrupções foi relatado por Maria Eduarda Jucá Ojeda, estudante de 18 anos e membro da Igreja Batista Filadélfia em Campo Grande, um dos municípios atendidos pela Energisa-MS. Ela contou que as atividades da igreja foram interrompidas por mais de uma hora devido à falta de energia, provocada por queimadas na região. A situação foi amenizada pelo uso de geradores, mas a instabilidade no fornecimento de luz persistiu nos dias seguintes.

Prevenção e medidas de segurança

A Energisa-MS e a Abradee reforçam a importância da conscientização da população para prevenir os impactos das queimadas na rede elétrica. A empresa recomenda evitar práticas como a queima de lixo doméstico, a realização de queimadas para limpeza de terrenos e o acendimento de fogueiras próximas à rede elétrica. Além disso, orienta a população a informar imediatamente as autoridades competentes, como o Corpo de Bombeiros e as distribuidoras de energia, sobre qualquer sinal de incêndio, para que as brigadas possam agir rapidamente e conter as chamas.

Madureira enfatiza que a realização de queimadas próximas às linhas de transmissão constitui crime federal, previsto no Decreto 2.661, de julho de 1998, que proíbe a prática numa faixa de 15 metros dos limites de segurança das linhas de transmissão e de 100 metros ao redor das subestações. Ele também ressalta a necessidade de vigilância por parte dos cidadãos, que devem denunciar aqueles que provocam incêndios, ajudando a proteger o meio ambiente e a segurança da população.

A tendência climática para o trimestre de julho a setembro indica chuvas abaixo da média histórica em Mato Grosso do Sul, segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec/MS), o que agrava ainda mais a situação e reforça a necessidade de medidas preventivas para evitar novas interrupções de energia e minimizar os danos causados pelos incêndios.


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