O conflito em Gaza, que se aproxima de completar 300 dias, continua a gerar graves consequências humanitárias. As recentes ordens de evacuação emitidas por Israel têm afetado áreas consideradas “zonas seguras”, previamente designadas para proteger civis em meio aos combates. A contínua mudança de orientação sobre essas zonas resultou em um aumento significativo no número de deslocados internos, agravando a já crítica situação humanitária no território.
De acordo com Andrea De Domenico, representante do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) nos Territórios Palestinos Ocupados, as evacuações em massa, ocorridas desde 22 de junho, afetaram cerca de 11% da população de Gaza em poucos dias. Essas novas ordens de deslocamento, que envolveram áreas tidas como seguras, levaram a um cenário de grande instabilidade, com muitas famílias sendo obrigadas a deixar suas casas repetidamente em busca de abrigo.
Desde o início do conflito, cerca de 90% da população de Gaza foi forçada a se deslocar, com muitos agora retornando espontaneamente a áreas anteriormente evacuadas. Este movimento gera uma sobrecarga nos serviços de assistência humanitária, que já enfrentam sérias dificuldades em alcançar todos os necessitados devido à falta de autorizações para a ampliação das entregas de ajuda.
As estatísticas mais recentes do conflito apontam para um número alarmante de vítimas. Até 31 de julho, mais de 39 mil pessoas foram mortas em Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde local. Entre as vítimas, 9 mil são crianças, 2,4 mil são idosos e 5 mil são mulheres. Além disso, 91 mil pessoas foram feridas no enclave. Do lado israelense, foram registrados 1,2 mil mortos, 5,4 mil feridos e 115 reféns ainda mantidos em cativeiro em Gaza.
A guerra também teve um impacto devastador na infraestrutura de Gaza, com mais de 60% das moradias destruídas e 49 milhões de toneladas de entulho acumuladas. A destruição em larga escala complicou ainda mais a capacidade de resposta às necessidades emergenciais da população.
Paralelamente às operações de evacuação interna, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizou uma das maiores operações de evacuação médica desde o início da guerra. Um total de 85 pacientes graves foram transferidos de Gaza para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A operação, que contou com a cooperação do governo dos Emirados e parceiros humanitários, priorizou pacientes com câncer, traumas graves e outras condições críticas. Entre os evacuados estavam 35 crianças e 50 adultos, acompanhados por 63 familiares e cuidadores.
Apesar da importância desta operação, Athanasios Gargavannis, cirurgião da equipe de emergência da OMS, enfatizou que ainda há mais de dez mil pessoas em Gaza necessitando de evacuação médica urgente. A situação permanece crítica, com os obstáculos logísticos e a falta de segurança dificultando a movimentação e o atendimento dos mais vulneráveis.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) também enfrenta grandes desafios para fornecer assistência alimentar à população de Gaza. A falta de passagens fronteiriças e as dificuldades em obter autorizações para movimentar comboios no enclave têm prejudicado a entrega de suprimentos essenciais. Além disso, as recentes ordens de evacuação resultaram na perda de mais de 20 pontos de distribuição de alimentos do PMA, forçando cozinhas e padarias a se realocarem.
Em meio a essas adversidades, a situação em Gaza continua a se deteriorar, com a população local enfrentando desafios crescentes em sua luta por sobrevivência em um ambiente cada vez mais hostil e instável.
*Com informações da ONU News.
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