A guerra na Ucrânia atingiu um novo patamar de confrontação nesta sexta-feira (09/08/2024), quando as forças ucranianas intensificaram suas incursões em território russo, atacando uma base aérea na cidade de Lipetsk, a mais de 300 quilômetros da fronteira ucraniana. A ofensiva ucraniana, que incluiu o uso massivo de drones, é considerada o ataque mais significativo em solo russo desde o início do conflito em 2022.
A ação foi reivindicada pelas autoridades ucranianas, que confirmaram o ataque ao aeródromo militar na região de Lipetsk. De acordo com relatos das agências de notícias russas TASS e RIA Novosti, o ataque resultou em um incêndio na base aérea, além de danos em uma instalação de energia local. O governador regional de Lipetsk, Igor Artamonov, confirmou o ataque e informou que ao menos seis pessoas ficaram feridas.
Em resposta à ofensiva, o governo russo implementou um estado de emergência no distrito municipal de Lipetsk, emitindo ordens de evacuação para quatro localidades nos arredores da cidade. Embora o nível de ameaça vermelha tenha sido suspenso posteriormente, as autoridades locais continuam a monitorar a situação de perto.
O ataque em Lipetsk faz parte de uma série de incursões ucranianas na região de Kursk, onde as forças pró-Kiev têm realizado uma ofensiva em território russo nos últimos dias. Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, com sede nos Estados Unidos, a Ucrânia alcançou ganhos territoriais significativos desde o início da ofensiva na terça-feira (6), avançando até 35 quilômetros dentro da região russa de Kursk. No entanto, o instituto alerta que as forças ucranianas não controlam completamente esse território.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, justificou a ofensiva, afirmando que a Rússia deveria “sentir” as consequências de sua invasão. Em seu discurso na noite de quinta-feira (8), Zelensky declarou: “A Rússia trouxe a guerra para o nosso país e deve sentir o que fez”.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças conseguiram derrubar 75 drones ucranianos durante a noite, incluindo 19 na região de Lipetsk, 26 na região de Belgorod, 7 na região de Kursk e 13 sobre a península da Crimeia e o Mar Negro circundante. Além disso, 7 drones navais ucranianos foram destruídos enquanto se dirigiam para a Crimeia.
O presidente russo, Vladimir Putin, classificou a incursão como uma “provocação em larga escala” por parte de Kiev, enquanto o principal general da Rússia prometeu aniquilar as forças ucranianas envolvidas na operação. Em resposta à ofensiva, o Ministério da Defesa russo anunciou o envio de tropas reservas para a região de Kursk e intensificou os ataques aéreos, de foguetes e de artilharia contra as unidades ucranianas.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos expressou apoio a Kiev, sem mencionar diretamente a operação em curso. A comunidade internacional acompanha com atenção o desenrolar dos acontecimentos, que podem ter implicações significativas para a evolução do conflito.
*Com informações da RFI.








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