Comissário francês Thierry Breton se demite e acusa Von der Leyen de “governação questionável” da Comissão Europeia

O comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, apresentou sua demissão, em um episódio que representa um novo desafio para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Breton alegou que von der Leyen pressionou a França para indicar outro candidato para seu cargo, o que gerou uma crise adicional na formação da nova equipe de comissários.

Na manhã de segunda-feira (16/09/2024), Breton divulgou uma carta anunciando sua saída, na qual afirmou ter tomado conhecimento da alegada pressão sobre a França para substituir seu nome na nova Comissão. Segundo Breton, essa pressão foi exercida no final das negociações para a composição do futuro Colégio, com von der Leyen oferecendo uma pasta mais influente como compensação política. Breton, que esperava ser nomeado para uma vice-presidência executiva, declarou que, diante dessas circunstâncias, não poderia continuar suas funções no Colégio e decidiu se demitir com efeitos imediatos.

A Comissão Europeia não comentou detalhadamente as alegações de Breton. Ariana Podesta, porta-voz da Comissão, apenas mencionou que von der Leyen aceita a demissão e agradece a Breton pelo trabalho desempenhado. O governo francês já indicou Stéphane Séjourné, atual ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-eurodeputado, como novo comissário.

A saída de Breton constitui um revés significativo para von der Leyen na formação de sua nova equipe, um processo complexo que envolve equilíbrios políticos e geográficos. A apresentação da nova Comissão foi adiada devido a uma disputa política na Eslovênia sobre a nomeação de Marta Kos, sucedendo Tomaž Vesel, que se retirou da corrida sob pressão para garantir uma maior representação feminina.

O processo de nomeação enfrenta ainda mais desafios com a controvérsia em torno de dois nomeados da extrema-direita. A Hungria busca manter Oliver Varhelyi, envolvido em diversos escândalos, e a Itália apresentou Raffaele Fitto, cuja possível vice-presidência gerou críticas por sua posição contra o Estado de direito e os valores da União Europeia.

Breton, que se destacou por seu papel na produção de vacinas contra a Covid-19, no apoio militar à Ucrânia e na regulamentação das grandes empresas de tecnologia, também se tornou uma figura polêmica. Suas críticas ao Partido Popular Europeu (PPE) e uma carta controversa a Elon Musk exacerbaram a tensão com a presidente da Comissão.

A porta-voz da Comissão Europeia reiterou o compromisso de von der Leyen em apresentar a lista de nomeados e a distribuição de pastas ao Parlamento Europeu na terça-feira em Estrasburgo.

Incerteza no Parlamento Europeu: Futura equipe de Von der Leyen e discurso de Orbán

A sessão plenária do Parlamento Europeu, que se inicia nesta segunda-feira, está marcada por incertezas e tensões, com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, como principais pontos de atenção. Von der Leyen deve apresentar sua proposta para o novo “colégio” de comissários, enquanto Orbán enfrentará uma recepção potencialmente conturbada no plenário.

A sessão é crucial para Von der Leyen, que foi convocada para revelar a lista de 26 comissários europeus e os cargos políticos que ocuparão. No entanto, o cenário de incerteza aumentou com a recente demissão abrupta de Thierry Breton, o comissário francês para o Mercado Interno, que retirou seu nome da corrida para um novo mandato. Breton alegou que Von der Leyen pressionou a França a indicar outro candidato e ofereceu uma pasta alternativa como compensação política.

Além dessa crise, o processo de formação da nova Comissão enfrenta obstáculos adicionais devido a conflitos políticos na Eslovênia. A oposição bloqueia a audiência de confirmação de Marta Kos, a candidata do governo esloveno, o que pode atrasar ainda mais a formação da Comissão e deixar o executivo europeu em um estado de incerteza.

A Comissão Europeia mantém a expectativa de que Von der Leyen participará da reunião programada para terça-feira, embora o adiamento seja uma possibilidade se a candidatura de Kos não for confirmada a tempo. Eric Mamer, porta-voz da Comissão, destacou que o executivo está monitorando de perto a situação na Eslovênia e pretende prosseguir com a apresentação do colégio.

Na quarta-feira, Orbán fará um discurso no plenário de Estrasburgo, como parte da presidência rotativa de seis meses da Hungria no Conselho da UE. Esse discurso ocorre em um momento de crescente tensão entre Bruxelas e Budapeste, particularmente em relação aos planos da Hungria de facilitar o acesso a vistos para trabalhadores russos e bielorrussos, o que levanta preocupações sobre a segurança do espaço Schengen.

Os legisladores também discutirão a recente disputa eleitoral na Venezuela e a crise política subsequente. Espera-se que uma resolução não vinculativa seja debatida, reconhecendo Edmundo González como o presidente legítimo da Venezuela. No entanto, a divisão política interna pode influenciar o resultado da votação.

O encontro de Von der Leyen com os líderes políticos do Parlamento faz parte de um novo regime de regras que permite maior controle do Parlamento sobre a formação da Comissão. A pressão sobre Von der Leyen para garantir uma distribuição equilibrada das pastas entre os partidos pró-europeus, como liberais, socialistas e verdes, está alta.

A crítica em relação à fuga de informações sobre a distribuição das pastas e a possível nomeação de Raffaele Fitto, do partido Conservadores e Reformistas Europeus (CRE), como vice-presidente executivo, tem sido alvo de críticas, especialmente por parte do grupo de centro-esquerda Socialistas e Democratas (S&D), que alertou para possíveis descontentamentos e preocupações com a representatividade feminina.

*Com informações da Euronews.


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