Se o personagem Odorico Paraguaçu, da novela “O Bem Amado” (1973), fosse candidato a prefeito de Sucupira nas próximas eleições municipais, marcadas para 6 de outubro, enfrentaria dificuldades significativas para obter sucesso. A mudança no cenário eleitoral exige dos candidatos propostas concretas nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, segurança pública, saneamento e emprego, temas de destaque nas pesquisas eleitorais.
O economista Jorge Jatobá, professor titular aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ex-secretário nacional de Política de Emprego e Salário, observa que prefeitos com perfil clientelista, como o do personagem fictício, estão se tornando obsoletos. Em vez disso, candidatos bem-sucedidos tendem a adotar “discursos consistentes” e apresentar propostas que promovam a geração de empregos.
“Os prefeitos devem adotar uma postura desenvolvimentista, voltada para a promoção de oportunidades de negócios e investimentos em seus municípios. O emprego resulta do crescimento econômico”, afirma Jatobá.
Para garantir crescimento local, os candidatos devem focar em atrair investimentos, melhorar a infraestrutura e qualificar a força de trabalho. Isso requer habilidade para articular e engajar a sociedade civil, empresários e o governo estadual e federal.
“Um círculo virtuoso é criado quando o crescimento gera mais renda e investimentos, aumentando a capacidade produtiva”, explica o economista.
Cláudio Hamilton Matos dos Santos, técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), concorda que a gestão eficiente de um município torna-o mais atraente para novas empresas e encoraja as existentes a expandirem e contratarem mais funcionários.
“O crescimento econômico é resultado de um esforço público e privado alinhado”, afirma Santos.
O advogado Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), destaca que a empregabilidade é um fator crucial para a avaliação dos gestores, junto à qualidade dos serviços públicos e ao incentivo à participação da iniciativa privada.
“A capacidade de induzir o desenvolvimento é um diferencial fundamental para prefeitos”, acrescenta Ziulkoski.
Karina Duailibi, cientista política e especialista em pesquisas qualitativas, observa que a demanda por empregos nas prefeituras tem aumentado desde a segunda década do século XXI. O crescimento de cidades de porte médio, impulsionado pelo agronegócio, pela expansão dos serviços de saúde e pela interiorização da educação superior e técnica, reflete essa tendência.
O sociólogo Jorge Alexandre Neves, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que a geração de emprego continua sendo um tema central nas pesquisas de opinião. Ele alerta que a falta de propostas para o emprego pode prejudicar campanhas eleitorais, especialmente em comparação com municípios vizinhos que atraem investimentos.
Gérson Engrácia Garcia, engenheiro e administrador, ressalta que nas cidades menores, a escassez de oportunidades de trabalho leva ao subemprego. Os residentes dessas localidades frequentemente dependem de empregos na prefeitura ou de atividades informais e mal remuneradas.
“As alternativas para quem não encontra trabalho são migrar para cidades mais promissoras ou aceitar empregos informais”, observa Garcia.
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, informa que os municípios brasileiros possuem a maior parcela de servidores públicos, com salários variando conforme o cargo. Em 2022, as prefeituras empregavam 2,3 milhões de profissionais da educação, 1,3 milhão na saúde e mais de 1,2 milhão em serviços administrativos, com uma remuneração média de R$ 3.604.
*Com informações da Agência Brasil.










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