Em 9 de setembro de 2024, Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e ex-primeiro-ministro da Itália, apresentou um relatório em Bruxelas destacando a necessidade urgente de grandes investimentos e inovação para que a União Europeia (UE) consiga competir com os Estados Unidos e a China. Durante a coletiva de imprensa, Draghi alertou sobre os riscos que a economia europeia enfrenta, afirmando que, se não forem tomadas medidas imediatas, a UE pode ter que sacrificar seu Estado de bem-estar social, meio ambiente ou liberdade.
O relatório, encomendado pela Comissão Europeia e elaborado ao longo de um ano, descreve a situação atual da UE como uma economia estagnada, com uma estrutura industrial estática. Draghi propõe uma “nova estratégia industrial” que deve abordar três áreas principais: acelerar a inovação, reduzir os preços da energia e aproveitar as oportunidades proporcionadas pela descarbonização, além de diminuir as dependências estratégicas e fortalecer a segurança.
Para implementar essas mudanças, Draghi estima que são necessários investimentos anuais adicionais de 750 bilhões a 800 bilhões de euros (R$ 4,6 trilhões a R$ 4,9 trilhões), o que representa quase 5% do Produto Interno Bruto (PIB) da UE. Este montante seria mais do que o dobro do valor do Plano Marshall após a Segunda Guerra Mundial.
Draghi sugere que a UE considere a emissão de uma nova dívida conjunta para financiar esses investimentos, semelhante ao pacote de ajuda de 750 bilhões de euros aprovado para mitigar os efeitos econômicos da pandemia de covid-19. No entanto, essa proposta é controversa. Países como França e Itália apoiam a ideia, enquanto Alemanha e Holanda demonstram resistência, temendo uma contribuição desproporcional.
Draghi reconhece a oposição à sua proposta e afirma que a emissão de dívida conjunta só seria viável se as condições políticas e institucionais forem favoráveis. Ele ressalta que, diante do “desafio existencial” que a UE enfrenta, uma resposta unificada é crucial. Draghi destaca que a situação atual é a mais crítica desde a Guerra Fria e que a necessidade de uma resposta coletiva nunca foi tão urgente.
O relatório de Draghi inclui 170 propostas abrangendo diversos setores, desde a defesa até metas de descarbonização. Ele aponta a fraqueza da UE em tecnologias emergentes, observando que apenas quatro empresas europeias estão entre as 50 maiores do setor tecnológico mundial. Draghi argumenta que a Europa está ficando para trás em áreas como serviços em nuvem e inteligência artificial e defende um aumento significativo nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, bem como em universidades de ponta, e na facilitação do crescimento de empresas inovadoras.
Em relação à descarbonização, Draghi propõe que este processo seja uma fonte de crescimento econômico e sugere políticas para reduzir o custo da energia para os consumidores finais, como a dissociação dos preços do gás natural dos preços da energia limpa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que foi reeleita em julho, planeja usar o relatório de Draghi para definir as prioridades de seu gabinete, que serão apresentadas esta semana. A UE enfrenta uma estagnação econômica que dura um ano e meio e foi mais impactada pela crise provocada pela pandemia de 2020 em comparação com os Estados Unidos.
*Com informações da DW.








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