A desaprovação do presidente francês Emmanuel Macron alcançou 75% pela primeira vez desde os protestos dos Coletes Amarelos, segundo pesquisa publicada pelo Journal du Dimanche no dia 21 de setembro. Este índice de desaprovação representa um aumento significativo em relação ao apoio ao presidente, que agora se situa em 25%. A pesquisa, realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), revela que a insatisfação com a gestão de Macron é expressiva entre a população, com três quartos dos franceses expressando descontentamento em relação ao presidente.
Os entrevistados atribuíram a baixa aprovação a fatores como a percepção de que Macron possui um “ego desproporcional que arruinou tudo”, além de considerar que suas ações tornaram a França ingovernável. A dissolução do parlamento e a convocação de eleições antecipadas, que foram interpretadas como um erro estratégico, contribuíram para a deterioração da imagem do presidente. A pesquisa foi realizada com um total de 2.098 adultos franceses entre os dias 11 e 20 de setembro.
Além disso, mais da metade dos entrevistados expressou desaprovação em relação à escolha de Macron para o cargo de primeiro-ministro, Michel Barnier, apontando que o presidente ignorou a vontade do eleitorado que pedia mudanças. Barnier, que foi o principal negociador do Brexit para a União Europeia, foi nomeado para a chefia do gabinete francês após um período de negociações complexas. A sua escolha gerou críticas, especialmente entre os eleitores que esperavam uma abordagem diferente da administração.
No último sábado, milhares de pessoas se reuniram nas ruas de Paris para protestar contra a nomeação de Barnier. A figura do novo primeiro-ministro é frequentemente associada a uma postura conservadora, tendo defendido políticas que visam restringir a imigração para a União Europeia. Barnier propôs uma moratória de três a cinco anos para a entrada de migrantes, exceto para requerentes de asilo e estudantes estrangeiros, o que levantou preocupações entre grupos que apoiam políticas de acolhimento mais abertas.
A combinação da baixa aprovação de Macron e o descontentamento com sua administração sinaliza um momento crítico para o governo francês, que enfrenta desafios significativos tanto em nível interno quanto externo.
Bureau da Assembleia Nacional da França aprova projeto de impeachment de Emmanuel Macron
O Bureau da Assembleia Nacional da França aprovou um projeto de resolução que visa o impeachment do presidente Emmanuel Macron, conforme reportado pelo jornal Le Parisien em 17 de setembro. O Bureau, que representa o mais alto órgão colegiado da câmara baixa do parlamento, contou com o apoio de 12 de seus 22 membros, que são predominantemente oriundos da esquerda. A proposta foi apresentada pelo partido de esquerda La France Insoumise, em resposta à exclusão de partidos de esquerda do governo recém-formado por Macron, que ocorreu apesar da vitória da coalizão do presidente nas eleições parlamentares.
A proposta de impeachment foi elaborada com base no Artigo 68 da Constituição Francesa, que permite a remoção do presidente em caso de violação de seus deveres. A resolução agora seguirá para a Comissão Legisladora, composta por 73 deputados, onde a bancada de esquerda possui apenas 24 assentos. A aprovação na Comissão é um passo necessário antes que o projeto seja submetido à Assembleia Nacional, onde dois terços dos deputados, ou seja, 385 dos 577, devem apoiar a resolução em um período de duas semanas.
Caso a proposta avance, o Senado, que atualmente não possui maioria da esquerda, também precisará aprovar a resolução com 232 votos. Se ambas as câmaras aprovarem a proposta, haverá uma sessão conjunta, e a resolução deverá obter apoio de 617 dos 925 parlamentares. O resultado positivo levaria à renúncia imediata de Macron.
Historicamente, o Bureau da Assembleia Nacional já havia considerado inadmissível uma resolução de impeachment similar contra o ex-presidente François Hollande em 2016. A atual proposta surge em um contexto em que as eleições parlamentares de julho resultaram em uma fragmentação significativa do parlamento, com a esquerda conquistando 182 assentos, enquanto a coalizão de Macron, Juntos pela República, obteve 168. O partido de direita Reagrupamento Nacional e seus aliados dos Republicanos formam a terceira maior força no parlamento, totalizando 143 assentos. Em meio a essa nova composição, a formação de um novo governo, liderado pelo primeiro-ministro Michel Barnier, está prevista para ser anunciada em breve.
*Com informações da Sputnik News.










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