Maria do Carmo Alves, que faleceu no último sábado (31/08/2024), aos 83 anos, foi uma figura de destaque na história política do Brasil, sendo a mulher com o maior número de mandatos consecutivos no Senado. Eleita pela primeira vez em 1998, ela foi reeleita em 2006 e 2014, totalizando 24 anos ininterruptos como senadora por Sergipe. Sua trajetória é marcada por uma atuação intensa em defesa dos interesses de seu estado e da região Nordeste, bem como por uma forte presença na luta por direitos sociais.
Nascida em 1941 no município de Cedro de São João, em Sergipe, Maria do Carmo Alves formou-se em direito em Aracaju e iniciou sua carreira profissional na administração de empresas. Sua entrada na política foi influenciada pelo ambiente familiar, especialmente pelo seu marido, João Alves Filho, que ocupou cargos de prefeito de Aracaju e governador de Sergipe. A carreira de Maria do Carmo no Senado teve início em 1998, quando ela se tornou a primeira mulher a representar Sergipe na Casa Legislativa e uma das duas primeiras senadoras do Nordeste.
Durante seu mandato, Maria do Carmo fez discursos contundentes contra políticas do governo federal que considerava prejudiciais à população. Em seu primeiro pronunciamento, em 1999, criticou duramente as medidas econômicas implementadas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, mesmo sendo filiada a um partido que integrava a base aliada. Ela destacou a necessidade de representar as queixas da população sergipana, que sofria com as dificuldades impostas pela crise econômica da época.
A senadora também se opôs à transposição do rio São Francisco, defendendo a revitalização das áreas próximas à foz do rio e propondo a criação de uma comissão no Senado para discutir o tema. Em 2001, Maria do Carmo manifestou-se contra a medida provisória que pretendia extinguir as superintendências de desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Amazônia (Sudam), argumentando que a medida agravaria as desigualdades regionais.
A atuação de Maria do Carmo no Senado foi fortemente voltada para a causa social, com foco em áreas como saúde, assistência social e defesa dos direitos das mulheres. Como relatora, trabalhou na aprovação de leis significativas, como a que restringiu a venda de esteróides anabolizantes em 2000 e a que garantiu o direito de visita dos avós aos netos em 2011. Em 2022, foi autora de uma lei que assegurou assistência integral à saúde das mulheres presas durante a gestação e o puerpério.
Em 2019, Maria do Carmo Alves participou da fundação da bancada feminina no Senado, sendo uma das signatárias do projeto de resolução que estabeleceu o grupo no Regimento Interno da Casa. Nos seus últimos anos de mandato, ela foi a decana do Senado, não concorrendo à reeleição em 2022, quando decidiu se aposentar da vida pública. Em seu último discurso, ressaltou sua dedicação à inclusão das mulheres na pauta pública e ao combate à violência de gênero.
Maria do Carmo Alves estava internada no hospital São Lucas, em Aracaju, onde passava por tratamento contra um câncer de pâncreas. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, decretou luto oficial por três dias em sua homenagem.
*Com informações da Agência Senado.
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