STF avalia pedido de extradição de Eray Uç entre Paraguai e Turquia

O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta a decisão sobre o pedido de extradição do cidadão turco Eray Uç, que atualmente está preso no Brasil. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à extradição de Uç para o Paraguai, onde é acusado de envolvimento em tráfico internacional de drogas. Entretanto, a situação se complicou após a Turquia, país de origem de Uç, também solicitar sua extradição, alegando que ele deve cumprir sentenças já estabelecidas por crimes de falsificação de documentos.

Eray Uç, conhecido como o “químico do PCC”, foi preso em São Paulo em junho de 2023, após ser flagrado com 16 quilos de drogas. Além das acusações no Paraguai e na Turquia, ele também é investigado nos Estados Unidos por suspeitas de ligação com o grupo Hezbollah. No Brasil, Uç já foi condenado a seis anos e seis meses de prisão por tráfico de drogas, o que complica ainda mais a decisão sobre sua extradição.

O pedido de extradição do Paraguai foi formalizado pela embaixada do país em março deste ano, sendo reforçado pela Interpol e pelas autoridades turcas nas últimas semanas. O caso está sob a relatoria do ministro Luiz Fux, que deve decidir se Uç será extraditado para o Paraguai ou para a Turquia. Uma vez tomada a decisão, ela será enviada ao presidente da República para aprovação final.

Especialistas em direito penal e internacional apontam que o caso é complexo devido aos diferentes interesses em jogo. Segundo o professor Daniel Raizman, da Universidade Federal Fluminense (UFF), a legislação brasileira permite a extradição tanto para o cumprimento de pena quanto para julgamento em outro país. Ele acrescenta que o Brasil deve considerar a gravidade dos crimes e a ordem dos pedidos de extradição, além do impacto político e diplomático.

Carlos Eduardo Japiassú, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), observa que o pedido do Paraguai deve ter precedência, pois o crime de tráfico internacional de drogas é considerado mais grave e foi solicitado primeiro. Japiassú também lembra que o Paraguai é parceiro estratégico do Brasil no Mercosul, o que pode influenciar a decisão.

Outro aspecto importante é a solicitação de refúgio por parte de Uç, que alega perseguição política na Turquia. Emerson Malheiro, professor de direito internacional e direitos humanos, destacou que o Brasil é signatário de tratados internacionais que protegem os direitos humanos, o que pode levar o país a negar a extradição para a Turquia. Ele também mencionou que Uç poderia ser alvo de tortura ou julgamento injusto se retornasse ao seu país de origem.

A decisão do STF terá implicações diplomáticas significativas, independentemente do resultado. Se o Brasil negar a extradição para a Turquia, as relações bilaterais podem se deteriorar. Por outro lado, a recusa em extraditar Uç para o Paraguai pode afetar a cooperação no Mercosul. Como alternativa, o Brasil poderia conceder asilo político, mas essa decisão também teria repercussões internacionais.

*Com informações da Sputnik News.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading