5ª Edição da FLICAN encerra atividades reafirmando o legado cultural de Canudos

A 5ª Feira Literária Internacional de Canudos reuniu mais de 5 mil pessoas em quatro dias de programação com foco na cultura sertaneja e tradições populares.
A 5ª Feira Literária Internacional de Canudos reuniu mais de 5 mil pessoas em quatro dias de programação com foco na cultura sertaneja e tradições populares.

A 5ª Feira Literária Internacional de Canudos (Flican) foi concluída na noite de 26 de outubro de 2024, após quatro dias de intensa programação que movimentou a cidade histórica de Canudos. O evento reuniu mais de 5 mil pessoas que participaram de atividades culturais e literárias, como debates, oficinas, mostras de filmes, exposições, apresentações musicais e espetáculos teatrais. A programação foi encerrada com apresentações musicais no Espaço Belchior, uma homenagem ao artista cearense. O tema desta edição, “O Sertão Vai Virar Arte: Viva o Povo Brasileiro, Literatura e Tradições Populares – Viva Canudos!”, prestou tributo ao escritor João Ubaldo Ribeiro.

O evento contou com a participação de escritores, acadêmicos e ativistas, como Frei Betto, João Pedro Stédile e Antônio Torres, que discutiram temas relevantes para a literatura e os movimentos sociais. A Flicanzinha, programação paralela voltada ao público infantil, também integrou o evento, com atividades educativas que envolveram as escolas da região. Luiz Paulo Neiva, curador da Flican, destacou a diversidade e a riqueza das manifestações culturais presentes na feira e agradeceu aos envolvidos na realização do evento.

Um dos momentos de destaque foi a palestra do escritor e cacique Juvenal Teodoro Payayá, que abordou o tema “Literatura Indígena: cinco séculos de opressão e saberes”. Em sua fala, ele ressaltou a importância da literatura como ferramenta de resistência e incentivo à expressão, afirmando que todos podem escrever, independentemente de sua origem ou formação. Juvenal Teodoro compartilhou experiências pessoais e encorajou o público a se engajar na produção literária, mesmo sem conhecimentos formais sobre o uso da língua.

A programação da Flican incluiu ainda uma conferência virtual de Frei Betto, que discutiu “Literatura como Resistência”, e uma palestra de João Pedro Stédile, cofundador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que abordou a luta pela terra no Brasil, traçando um paralelo entre as Ligas Camponesas e o MST. Outra conferência relevante foi “Os romances dos meus sonhos”, com a participação dos escritores Aleiton Fonseca e Antônio Torres, que compartilharam reflexões sobre o processo criativo e a literatura contemporânea.

O evento também apresentou o filme “1798: Revolta dos Búzios”, dirigido pelo cineasta baiano Antônio Olavo. O documentário trata do movimento emancipacionista que ocorreu na Bahia, conhecido como Revolução dos Alfaiates, e sua luta pela criação de uma república democrática no Brasil.

No encerramento, o palco do Espaço Belchior recebeu apresentações musicais que celebraram a cultura local, com a Banda de Pífanos de Canudos, Forró da Gerardina, Bião de Canudos, Kaila Marcelle e Roberto Santos, oferecendo ao público um panorama das tradições sertanejas.


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